
Acordar cedo para receber as carnes dos fornecedores, preparar as peças de carne para venda, afiar as facas, decorar a montra, começar a servir os clientes no seu talho, no Mercado Municipal, é o dia-a-dia de António Campos
António Campos, 51 anos, é um dos talhantes mais conhecidos no Mercado de S. João da Madeira. Tem as portas do seu negócio abertas há mais de 20 anos e atribui o sucesso do negócio aos clientes, à qualidade do produto que vende e à simpatia que deposita em cada cliente. “É necessário tudo isto. Sinto-me um felizardo por gostar muito do que faço”, orgulha-se.
Conheceu a profissão quando tinha apenas 14 anos. ”Eu disse ao meu pai, quando estava no 6.º ano, que estudar não era o meu forte. Não valia a pensa insistir”, lembra.
Procurou trabalho e nenhuma profissão lhe deu mais satisfação do que pegar numa faca de talho pela primeira vez. Começou como aprendiz do senhor “Rufino”, que ainda hoje mantém o seu talho no Mercado Municipal. “Tive muita sorte de ter tido um bom mestre. Devo-lhe muito do que sei. O resto vamos aprendendo com a vida”.
O gosto pela arte de trabalhar a carne, que agora é designada por “manipulador de carnes”, e a determinação fizeram com que, em 1984, se tornasse autónomo. Chamou-lhe Talho Confiança. “Estava na hora de ter só o meu espaço, de não depender dos outros e de continuar a passar essa confiança” aos clientes que foi conhecendo ao longo dos anos. António Campos não teve dúvidas em “apostar” no mercado, apesar de considerar que “há vantagens e desvantagens. É sempre um local de passagem, onde as pessoas fazem as suas compras”. As desvantagens passam, segundo este comerciante, pelos horários, feriados, que no mercado “somos obrigados a cumprir. Não podemos vir fora de horas. Acabamos por estar limitados, nesse sentido”, enfatiza.
Artigo disponível, em versão integral, na edição nº 3898 de O Regional,
publicada em 30 de junho de 2022
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