Sociedade

Jovens valorizam o 25 de Abril, mas desconhecem a revolução

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A Revolução dos Cravos é um marco da democracia, mas os jovens revelam menor conhecimento. A memória persiste em espaços públicos, como o mural de Salgueiro Maia na Praça do Poder Local.

Luís Miguel, estudante de Medicina de 21 anos, considera que a democracia exige participação contínua e alerta para o distanciamento de parte dos jovens face ao significado do 25 de abril.
O jovem sanjoanense entende que o regime democrático “deve ser entendido como uma construção permanente”, o que implica “o envolvimento ativo das gerações mais novas”. Em declarações a O Regional, identifica a Revolução do 25 de Abril como um momento decisivo da história recente do país, sustentando que o seu “impacto vai muito além do simbolismo, tendo provocado mudanças estruturais que continuam a refletir-se na sociedade atual”.
Apesar desse reconhecimento, aponta um “certo afastamento” da parte dos jovens em relação à data, observando que, para muitos, o 25 de abril é visto principalmente como um “simples feriado”. Defende, por isso, uma aposta mais consistente na preservação da memória histórica, com maior presença do assunto no ensino.
Questionado sobre Salgueiro Maia, atribui-lhe um papel determinante no fim do regime, destacando a “coragem” demonstrada e classificando-o como uma referência que deve continuar a ser evocada.
Sublinha ainda que a revolução permitiu “alargar direitos fundamentais” e consolidar políticas públicas de caráter social, apontando a participação cívica, a educação, a saúde e a habitação como áreas estruturantes, a par do fim do conflito colonial.

Jovens associam a Revolução à liberdade e melhores condições de vida

Passaram 52 anos desde a revolução de abril de 1974, que pôs fim à ditadura e abriu caminho a um regime democrático. A data permanece como uma das mais marcantes do calendário nacional, associada à conquista de direitos e liberdades que moldaram a sociedade portuguesa contemporânea.
Se para as gerações mais velhas o 25 de Abril está ligado à experiência vivida, entre os jovens o contacto com este período faz-se sobretudo através da escola, dos media e de referências culturais. Os símbolos são amplamente reconhecidos, como os cravos ou a canção “Grândola, Vila Morena”, mas nem sempre acompanhados por um conhecimento detalhado do processo revolucionário.
Numa esplanada de um café, cinco jovens do Agrupamento de Escolas Serafim Leite associam a Revolução do 25 de Abril à conquista da liberdade e à melhoria das condições de vida.
Ouvidos por O Regional, os estudantes evidenciam um conhecimento genérico sobre o processo histórico. No grupo, prevalece a leitura de que o 25 de Abril “determinou o fim de um período de restrições” e abriu caminho à “consagração de direitos e oportunidades hoje tidos como adquiridos”.
Ainda assim, admitem que o contacto com o assunto ocorre sobretudo em contexto escolar, sem expressão regular no quotidiano. Apesar disso, acentuam a importância da preservação da memória histórica, apontando a liberdade como o principal legado da revolução.

“Mural valoriza a cidade e aquele lugar”

“Assinalar o 25 de Abril não se limita a recordar conquistas. Implica reconhecer desafios que continuam a testar os valores da liberdade e da democracia”. A leitura é de Gonçalo Pinho, estudante de engenharia de 20 anos.
Em declarações a O Regional, sustenta que “assinalar a data implica não só recordar as conquistas alcançadas, mas também ter presente que continuam a surgir desafios e pressões que colocam à prova esses valores”.
O contacto com a revolução começou cedo, em contexto familiar. “A revolução de 1974 sempre foi um assunto falado em casa. Vimos filmes e muitas exposições em São João da Madeira”.
Na Praça do Poder Local, em São João da Madeira, junto ao bairro onde vivem os avós, destaca um mural dedicado a Salgueiro Maia. A obra, pintada na fachada de um edifício e acompanhada por uma chaimite no jardim, marcou o seu percurso. “Ninguém fica indiferente ao que vê. Nós crescemos a fazer perguntas sobre tudo aquilo”.
Admite, ainda assim, algum distanciamento entre os mais novos. “Para muitos, tudo aquilo pode passar ao lado”, refere, embora considere que o mural “valoriza a cidade e aquele lugar”.
Inaugurada em abril de 2019, a intervenção é da autoria do artista urbano Frederico Draw, a partir de uma imagem captada pelo fotojornalista Alfredo Cunha. A composição destaca uma mão que ergue um cravo e a figura do capitão de Abril.
O estudante defende, por sua vez, um maior envolvimento das escolas.
“Deveria ser dada mais importância à cidade e a este lugar. As escolas deveriam trazer os alunos cá”, afirma. E alerta que “a grande maioria dos jovens não está muito interessada em saber como realmente aconteceram as coisas que permitiram que hoje todos possam conversar descansados, sermos livres e que as mulheres possam também ter voz ativa”.

Dois dias de iniciativas assinalam o 25 de Abril na cidade

As comemorações do 25 de Abril em São João da Madeira decorrem ao longo de dois dias, com iniciativas culturais, musicais e institucionais em vários pontos da cidade.
No dia 24 de abril, pelas 21h00, o Museu da Chapelaria recebe a inauguração da exposição O Movimento Operário Chapeleiro. À mesma hora, há música com Abril, com a participação de alunos da Academia de Música e da Tuna dos Voluntários, na Academia de Música. A programação prossegue às 22h30 com uma arruada, com início na Academia de Música e término na Praça Luís Ribeiro, onde, às 23h00, atua a Banda de Música.
No dia 25 de abril, as celebrações começam às 09h45 com o hastear de bandeiras no átrio do Fórum Municipal, com a participação da Fanfarra dos Bombeiros Voluntários e da Banda de Música. Às 10h00 decorre a sessão comemorativa do 25 de Abril, na sala da Assembleia Municipal, e arranca, à mesma hora, a Marcha da Liberdade, com início no Parque Nossa Senhora dos Milagres e fim na Praça Luís Ribeiro.
Pelas 10h30 estão previstas atividades lúdicas e recreativas na Praça Luís Ribeiro. O programa encerra às 17h00, na Casa da Criatividade, com o espetáculo Índios da Meia Praia: Tributo a Zeca Afonso e Amigos da Luta, de entrada gratuita.

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