
O 5 de Outubro é o feriado nacional que uma maioria de direita quis extinguir, mas que o bom senso de uma nova composição parlamentar soube repor.
Celebramos uma revolução que obteve importantes progressos no plano da liberdade, dos direitos democráticos, da educação e da separação de poderes entre o Estado e a Igreja.
Uma revolução com muitas contradições na qual os governantes frequentemente utilizaram a repressão contra os mais pobres. Quando os trabalhadores, com vidas miseráveis, ousavam reclamar melhores condições de vida a resposta foi, muitas vezes, a prisão e o degredo para os seus dirigentes. E a repressão aos activistas sindicais foi tão grande que Afonso Costa, um dos governantes mais conhecido dessa altura, tinha a alcunha de “racha sindicalistas”.
Nos últimos anos da República, o País viveu num cenário de grande confrontação. Foi um tempo em que Mussolini era uma vedeta das extremas-direitas populistas na Europa, incluindo a portuguesa.
Foi neste contexto que os “donos disto tudo”, promoveram em 28 de Maio de 1926 um golpe de Estado. O resultado do golpe todos sabemos. 48 Anos de atraso económico, pobreza profunda, repressão e guerra.
Durante os últimos 13 anos do regime fascista em Portugal, milhares de jovens portugueses foram arrancados das suas vidas e obrigados a ir combater na guerra colonial, em Angola, Moçambique e Guiné. A consequência da guerra, só do lado português, foram cerca de 10 mil mortos e muitos mais milhares de feridos, muitos deles paraplégicos, amputados dos membros, cegos, etc.
A Revolução Republicana é, e continuará a ser, um marco importante da luta pela liberdade e a justiça do Povo Português. Os seus objectivos continuam válidos.
Será que o 5 de Outubro vai continuar a ser feriado? Fica a pergunta.
O autor escreve segundo o antigo Acordo Ortográfico.
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