
Nos dias 6, 7 e 8 de dezembro, Estarreja recebeu os entusiasmados 175 nadadores de 37 clubes que superaram as muito apertadas exigências técnicas, colocadas previamente à participação neste encontro. Paralelamente, decorreu na Quarteira a versão Sul com 212 nadadores de 49 clubes.
A Natação Desportiva AD Sanjoanense/Fepsa contou com Rafael Bastos para dar conta do recado, que à partida não se saberia como como podia vir a ser, já que a lista de participantes dava como confirmados alguns “pesos pesados” e, alguns outros, médios bem estruturados, vogando ultimamente num verdadeiro percurso ascensional.
No começo, os 100 metros Costas serviam para liquidar a participação num máximo de provas possível, tendo sido talhadas cinco. Serviria também para avaliar estratégias, estado de espírito, capacidade de reação e eventuais formas de investida. Contudo, este início que sempre é precioso ser gentil connosco, não foi de feição.
Os 50 metros Livres, prova de catálogo para o atleta alvinegro, que é vice-campeão Nacional da categoria, deviam ser autênticos, poderosos, sem estranheza. Rafael Bastos distanciou-se estranhamente da frente da prova logo no início e, sendo esta uma prova muito rápida, qualquer correção, por muito forte que fosse, estaria inevitavelmente condicionada: a reação teria de ser de outra dimensão. Conclusão, a investida foi débil a reação acabadiça, o estado de espírito foi abalado e, ajudando pouco, os rituais de recuperação e relaxamento foram desconsiderados.
No segundo dia, com a mente fresca, disputaram-se os 200 metros Livres e os 100 metros Mariposa. No entanto, sabia-se que seria preciso mais objetividade que no dia anterior. Foi feito o trabalho de descarga negativa, a mente voltou a estar livre, novas leituras viabilizaram primordiais aspirações.
Para os 200 metros Livres não havia necessidade de pensar muito, a perspectiva para esta prova foi tridimensionalmente cuidada ao longo de três meses. Apenas era preciso concentração, querer e acreditar. Como assim, baixar a barreira dos dois minutos estava previsto, logo, havia pesos e medidas a ter em consideração: os primeiros 100 metros sem modéstia, 50 metros em resistência, e, por último, 50 metros a dar tudo, positivamente tudo. Foi uma prova bonita, foi, mas na qual não se venceu o Adamastor. Os 100 metros Mariposa que preferimos deixar aqui sem história, deram a mão aos 100 Costas e lá foram juntos para o protocolo de recuperação e relaxamento resignado e menos prezado, algo que não devia ter acontecido.
Terceiro dia, não era preciso nada mais que não fosse encontrarmo-nos a nós próprios, desfrutar e seguir em frente. Era o dia da adorada rainha das provas, os 100 metros Livres, mas havia algo imperceptível a beliscar a percepção, criando desassossego. Os primeiros 50 metros foram dormentes, insensíveis, mas, depois da viragem, o Rafael pareceu acordar, fez 50 metros vertiginosos, solto, como se finalmente tivesse bafejado pelo melhor dos ventos, ainda que a reação tenha sido tardia.
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