Hóquei em Patins

Nos 100 anos da ADS, celebram-se 75 anos do Hóquei em Patins

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João Maia, de 31 anos, diretor da modalidade, em entrevista a ‘O Regional’ partilhou alguns dos momentos que marcaram o percurso desta secção ao longo das décadas.

A ligação pessoal de João Maia com o clube remonta à sua infância, quando, inicialmente, por influência do pai, que foi presidente da ADS, despertou nele a paixão pelo desporto e levou-o a dedicar-se, mais tarde, ao hóquei em patins.

Jornal O Regional: Quais os momentos mais marcantes na história do hóquei em patins da ADS?
João Maia: Obviamente não presenciei grande parte da história desta secção, mas houve um momento mais marcante e está nas paredes do pavilhão eternizado, que foi a conquista da Taça da Taças, o único troféu internacional na história do clube, em 1986. Numa final, contra o Sporting, em que no intervalo, a ADS estava a perder, creio eu, por cinco zero, mas acabou por ganhar nove a seis. Mais recentemente, a conquista da Taça de Portugal, da equipa feminina, na época de 2012/13. Assim como, participações nas competições europeias durante a década de 80 e, mais recentemente, há dois anos.
A construção deste pavilhão também foi importante porque, na altura, foi um dos primeiros pavilhões cobertos a serem construídos em Portugal. Primeiro, foi o pavilhão de Paço de Arcos e o segundo, foi o da Sanjoanense, construído através dos donativos das pessoas e com esforço dos operários do município e, na década de 1950, termos uma envergadura destas e que, arquitetonicamente , ainda se mantém com os seus traços gerais até hoje, é significativo.

Como é que a ADS tem contribuído para o desenvolvimento do hóquei em patins na região?
Tudo isto ajuda a fortalecer a comunidade de S. João da Madeira, que cultiva muito o sentimento do bairrismo, um sentimento que, infelizmente, se perdeu em muitos clubes, por este país fora, principalmente em clubes de futebol. Já não há tanto envolvimento da comunidade, como havia noutras décadas, porém, no hóquei em patins e pelo menos aqui em S. João da Madeira, ainda conseguimos manter essa ligação à coletividade e, portanto, cultivar a ligação e desenvolvimento entre a comunidade sanjoanense e a própria associação.

A modalidade de Hóquei em Patins, tem como principal meta para o ano do centenário a ascensão à primeira divisão. O diretor da secção, João Maia, destacou o empenho na formação de talentos e a procura contínua por competir com os melhores clubes em todos os escalões, demonstrando um foco especial na recuperação do protagonismo, nas equipas femininas.

Quais são os desafios predominantes enfrentados pela equipa e como os superam?
Principalmente, o facto de o material de hóquei em patins ser caro. Equipar um guarda-redes custa mais de mil euros, desde a cabeça aos pés, sendo que este precisa de capacete, viseira, etc. e as taxas associativas e federativas são muito pesadas. Assim como competir na primeira divisão implica taxas ainda mais difíceis de suportar. Portanto, o principal desafio é sempre o financeiro. Felizmente, temos apoio e muitos patrocinadores. No decorrer do pavilhão, é possível notar a quantidade de publicidades pagas. Felizmente, sentimos um forte apoio, de S. João da Madeira e não só. Todavia, precisamos de mais, porque ainda achamos não ser o suficiente. Ainda não temos uma secção que seja autossustentável, mas gostava de um dia ver isso acontecer.
Queremos dar alegrias aos nossos adeptos, queremos dar condições aos nossos jogadores de formação e queremos que os miúdos se divirtam a jogar, mas é uma tarefa difícil manter a secção funcionar.

O que significa para si a comemoração do centenário, enquanto diretor da modalidade de hóquei em patins?
É muito especial, tenho a felicidade de estar a viver, no ano em que posso presenciar a celebração do centenário da ADS, que é o meu clube.
A única mágoa que me deixa é o facto de o meu pai ter sido presidente e não poder estar cá, para testemunhar este marco. Nos dias de hoje, podia estar mais desligado da vida do clube, mas era sanjoanense, contudo ainda mais apaixonado do que eu pelo clube e eu gostava que ele cá estivesse para viver a celebração secular.

Os maiores desafios enfrentados pela equipa incluem obstáculos financeiros significativos, como o custo elevado do equipamento e as “pesadas” taxas associativas e federativas, especialmente ao competir na primeira divisão. João Maia ressalta que, embora a secção não seja autossustentável financeiramente, o objetivo primordial é proporcionar alegria aos adeptos e criar condições ideais para o desenvolvimento dos jogadores de formação.

Quais os objetivos para a modalidade de hóquei em patins, para os próximos tempos?
O nosso principal legado é conseguir a subida à primeira divisão e o nosso principal objetivo é dar a conhecer aos adeptos, em ano de centenário, que nós conseguimos a subida à primeira divisão e que as coisas estão bem encaminhadas. Ainda assim, só poderemos festejar no fim. Para um futuro próximo, teremos de continuar a nossa formação contínua, realçada através do trabalho desenvolvido pelos coordenadores Marco Lopes e Francisco Barreira. E queremos que a nossa formação volte a competir com os melhores. Já estamos a conseguir isso em alguns escalões, mas pretendemos melhorar ainda mais.
Queremos que as equipas femininas voltem a recuperar algum do protagonismo perdido nas últimas épocas mas também que consigam ter mais capacidade e mais armas para competirem com os melhores. Sem loucuras, sem apontar a objetivos que não sejam os nossos e trazermos aos adeptos o que eles querem e merecem.
À medida que a ADS celebra o seu 100º aniversário, é evidente que o hóquei em patins não é apenas uma modalidade para o clube, mas uma paixão que transcende gerações e um pilar da comunidade desportiva local.

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