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São João da Madeira tem a terceira taxa de mortalidade mais baixa do país

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Os dados divulgados pelo semanário Expresso colocam São João da Madeira entre os municípios com melhor desempenho em indicadores locais de saúde, resultado que levou 'O Regional' a questionar a autarquia para compreender os fatores em causa.

São João da Madeira está entre os concelhos do país com menores taxas de mortalidade padronizada, uma medida que compara os níveis de mortalidade de diferentes comunidades como se tivessem a mesma estrutura etária. Esses dados, referentes ao triénio 2022-2024, foram revelados na edição do último fim de semana no semanário Expresso, de acordo com os quais o território sanjoanense ocupa o terceiro lugar nacional nessa ponderação, o que o posiciona como um  dos municípios onde o risco de morrer mais cedo é mais baixo.
“Este é um resultado que muito nos orgulha”, diz a vereadora da Ação Social e Saúde da Câmara de São João da Madeira, destacando, porém, que a posição do concelho nesta matéria “sobretudo reforça a responsabilidade de continuar a investir na saúde pública e na qualidade de vida da população”. Dulce Santos considera que “este indicador não é apenas um valor técnico: traduz, de forma integrada, comportamentos, políticas públicas, capacidade de resposta dos serviços, proteção social e coesão comunitária”.
A vereadora assinala que “há muitos anos que o Município investe em programas de apoio à saúde, principalmente das pessoas mais velhas e com menores recursos, sendo pioneiro na aplicação de medidas que incrementem a qualidade de vida dos sanjoanenses”. E dá um exemplo em particular: a “disponibilização gratuita de medicamentos aos idosos com baixos rendimentos, um programa municipal que, entretanto, foi adotado pelo Governo da República”, reforçando o que já havia dito também ao semanário Expresso.

“Trabalho conjunto”

Entre as razões para este resultado do concelho, conta-se “uma aposta municipal consistente na promoção da saúde e em políticas públicas orientadas para equidade, prevenção e bem-estar”, a que se soma “uma rede de cuidados de saúde primários sólida e próxima da população, boa acessibilidade aos serviços, condições socioeconómicas favoráveis e uma rede social forte, como fatores decisivos para a qualidade de vida em São João da Madeira”.
Dulce Santos sublinha que “os bons resultados alcançados são fruto do trabalho conjunto de profissionais de saúde, escolas, instituições sociais, movimento associativo, comunidade e Município”, acrescentando que o atual executivo camarário assume o seu empenho em “reforçar esta dinâmica e em promover uma cidade mais saudável, sustentável e inclusiva para todas e todos”. Nas suas palavras, este é um “trabalho que todos – profissionais, instituições, comunidade e autarquia - têm desenvolvido para promover a saúde e o bem-estar da popu­lação».

Cobertura de cuidados de saúde primários

Segundo dados da autarquia, o concelho beneficia de uma forte cobertura de cuidados de saúde primários, com equipas estáveis e programas de vigilância em áreas como a diabetes, hipertensão, doença respiratória e saúde mental. A articulação entre profissionais, unidades de saúde e população permite uma intervenção precoce, contribuindo para a redução de eventos graves e de mortalidade evitável.
Paralelamente, o Município tem vindo a reforçar, ao longo dos últimos anos, ações dedicadas à prevenção da doença, à atividade física e à literacia em saúde. Para além do desenvolvimento de iniciativas na área da nutrição, do combate ao sedentarismo, saúde escolar e criação de espaços públicos saudáveis, designadamente com recurso a financiamento do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).
Alguns exemplos são o projeto PRIMUS, (prevenção cardiovascular em escolas e empresas), do PT Sénior (focado no envelhecimento ativo), do Programa de Preparação Individualizada de Medicação (com o objetivo de promover segurança e adesão terapêutica). A estes soma-se o projeto VAMOS, desenvolvido com a ULS Entre Douro e Vouga, que oferece sessões semanais de exercício físico orientado e ações mensais de educação para a saúde.

Base socioeconómica e boa mobilidade

O facto de São João da Madeira apresentar uma boa base socioeconómica é igualmente um fator que reduz vulnerabilidades e facilita o acesso aos cuidados, assim como a pequena dimensão territorial, que contribui para uma mobilidade facilitada e para a proximidade física aos serviços de saúde, favorecendo respostas personalizadas e rápidas. Tudo isso é reforçado por uma articulação institucional sólida, envolvendo escolas, IPSS, serviços de saúde, associações desportivas e culturais, empresas e comunidade, um trabalho em rede que, segundo a autarquia, permite respostas rápidas, acompanhamento de pessoas em situação de maior fragilidade e identificação precoce de riscos de saúde, com impacto direto na mortalidade.
A adoção de políticas públicas orientadas para equidade, prevenção e bem-estar é mais uma vertente referenciada como importante para a qualidade de vida que o concelho, com a saúde a constituir um eixo transversal da ação autárquica, com programas que visam reduzir  desigualdades e apoiar as famílias em situação de maior vulnerabilidade. É o que acontece com o Programa Municipal de Apoio à Vacinação Infantil ou o serviço gratuito de Teleassistência Domiciliária, que apoia idosos isolados e pessoas com mobilidade reduzida.

Concelhos com taxa mais baixa

  • Mugadouro 9,1
  • Braga 9,4
  • São João da Madeira 9,4
  • Ansiao 9,6
  • Celorico da Beira 9,7
  • Vieira do Minho 9,7
  • Miranda do Douro 9,8
  • Arouca 9,8
  • Caminha 9,9
  • Oeiras 9,9
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