Sociedade

Postais de Natal: Uma tradição ainda com costumes na cidade

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Embora a tradição se venha perdendo ao longo dos tempos, ainda existe em S. João da Madeira quem não dispense o envio dos tradicionais votos de Boas Festas, através dos postais de Natal.

“Um postal tem um significado diferente de uma simples mensagem de telemóvel”. Esta é a certeza de alguns populares com quem falamos esta semana, junto do posto dos CTT, no Largo de Santo António. “Compro todos os anos vários para oferecer - assumiu Emília Pinho, mostrando-nos a embalagem. Tem cinco postais e os respetivos envelopes, com o custo de cerca de nove euros.
“Tem vindo a perder-se o hábito de enviar postais de Natal”. Parece ser mais fácil, nos dias de hoje, criar um e-card,  e enviá-lo por email a uma longa lista de contactos. É cada vez mais frequente também a criação de uma publicação para esse efeito nas redes sociais.
“Perdeu-se a magia de muitas escolas de escreverem ao Pai Natal e colocarem as cartas no posto dos Correios. Poucas ou nenhumas fazem já isso”, lamenta esta sanjoanense, de 65 anos.
Se para muitos a tradição de escrever um postal, que o carteiro, nesta época do ano, deixa na caixa do correio, e que em muitas casas permanece junto da árvore de Natal, está a perder-se, existe quem não partilhe dessa ideia em S. João da Madeira “O ano passado vendi cerca de 80. Ainda hoje vendi 10, e a semana passada 15, e a procura começou sempre no final de novembro”, deu-nos conta Glória Rosa, gerente da Papelaria Lusíada, que não tem dúvidas que, até ao Natal, venderá ainda muitos postais. “Ao contrário do que se pensa, a tradição ainda existe. As pessoas compram para enviar pelo correio ou para entregarem com os presentes no dia de Natal”, revela esta comerciante da  R. António José de Oliveira Júnior. Cada postal custa dois euros. “A oferta nem sempre é muita. Mas todos acabam por ser apelativos”, rematou.

”É um gosto pessoal. Um carinho intimista”

Opinião diferente tem o responsável pela papelaria Glória, em pleno coração da cidade. “Em relação ao que era, sentimos uma redução de 90 por cento na venda de postais de Natal”. Este responsável assegura que “são as pessoas de mais idade que ainda vão mantendo a tradição”, uma vez que os jovens “preferem as novas tecnologias”, rematou.
Fernanda Castro garantiu-nos que não dispensa o envio, todos os anos, de um postal de Natal. “Para mim tem muito mais significado do que um presente. É sinal de carinho e de muito amor, pois permite-me escrever o que sinto, e quero para aquela pessoa ou família”, enfatiza. Compra os seus postais na Associação Internacional de Artistas Pintores com a Boca e o Pé, que foi criada há mais de 60 anos, e que todos os anos envia milhares de coleções de postais para muitas casas, e que aguarda a solidariedade de quem quiser contribuir. “Ajudo sempre. São cinco euros, são todos maravilhosos e o Natal é isto também. Ajuda”. Fernanda confessa que nunca deixou de escrever os postais à mão. ”É um gosto pessoal. Um carinho intimista”. Todos aqueles que recebe coloca-os junto da árvore de Natal lá de casa, “tal como fui educada”.
Esta sanjoanense diz que se lembra perfeitamente que, quando era criança, em casa dos seus pais, os postais começavam a chegar a partir de 10 de dezembro, e “só muito depois dos Reis é que paravam de chegar”. Recorda-os com saudade. “O espírito de Natal era diferente, não existia a geração consumista e tudo era natural”.
Ricardo Lima revela que é mais contido na seleção da lista de postais, nos dias de hoje. “Cheguei a enviar cerca de 20 postais para familiares, amigos e para muitas coletividades, uma vez que está ligado a uma Associação”. Hoje já não o faz. “O Tempo mudou. Sinto que cada vez mais as pessoas preferem enviar mensagens pelo telemóvel ou e-mail. Somos comodistas. Isso assusta-me”, revela.
Se muitos dizem que a tradição se foi perdendo ao longo dos tempos, parece que há um grande número de sanjoanenses que continua fiel ao espírito de Natal, preferem enviar os desejos de boas-festas através de um postal ilustrado, acompanhado de um texto bem elaborado e com um cunho pessoal, como a época aconselha.
Manuel Santos é outro sanjoanense que não dispensa o tradicional postal de Natal. Assim, tem o hábito de, todos os anos, comprar postais natalícios e, para contemplar os seus clientes, elabora um texto, e envia “numa atitude de agradecimento por todo o apoio dado ao longo do ano. O desejo de boas-festas passa por algum esforço e, por isso, devemos escrever um texto elaborado”, já que “as mensagens de telemóvel não têm valor algum”.
Segundo apurámos junto de fonte próxima da estação dos Correios de S. João da Madeira, “este ano as pessoas continuam a aderir à compra dos postais, por parte de muitas empresas e particulares, mas verifica-se, como noutros pontos, a quebra dos últimos anos”. Os cartões ali vendidos são da «UNICEF», e quem os adquire tem sempre como objetivo ajudar.
Porém, nos últimos anos, os telemóveis ficam inundados de mensagens escritas (SMS), assim que se aproxima a meia-noite do dia 24 e do dia 31 de dezembro, embora muitas fiquem a aguardar a sua vez, diante de serviços saturados com números tão anormais.
Seja nas grandes superfícies ou em lojas de comércio tradicional, os postais continuam a ser vendidos, sempre acompanhados por uma grande variedade.

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