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S. João da Madeira é das cidades com mais peões atropelados

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O número de acidentes e atropelamentos nas passadeiras não são novidade para os sanjoanenses. S. João da Madeira, Lisboa e o Porto com os números mais altos de atropelamentos, segundo dados da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária.

Durante vários anos, muitos sanjoanenses não esconderam o desagrado pelo “número elevado” de acidentes nas passadeiras. Assim, apontavam o dedo à sua má localização, algumas muito próximas de rotundas, sem sinalização e com falta de visibilidade, abrindo caminho à distração de transeuntes e automobilistas, provocando situações graves de acidentes.
Na última semana, um estudo da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária revelado pelo jornal Expresso dava conta que S. João da Madeira, Porto e Lisboa são as três cidades portuguesas com as taxas mais elevadas de peões atropelados. Os dados indicavam que 40% dos atropelamentos em Portugal acontecem nas passadeiras e, aproximadamente, 25 mil peões foram atropelados entre 2018 e 2022. Em cinco anos há a contabilizar mais de 500 vítimas mortais. Estes números, agora conhecidos, revelam que Portugal é o país da Europa Ocidental onde mais peões perdem a vida.
´O Regional’ solicitou à Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária informação relativamente aos números de acidentes e de vítimas nas passadeiras em S. João da Madeira entre 2018 e 2022, mas a resposta não chegou em tempo útil. Ainda segundo o jornal Expresso, duas mil pessoas atropeladas ficaram feridos com gravidade, incluindo lesões permanentes.
Os dados revelam ainda que no período da pandemia verificou-se uma redução destes acidentes, mas aumentaram em 2022, e “há sinais de nova subida” no início deste ano. ”Em qualquer cidade, a distribuição geográfica dos atropelamentos não é aleatória. Se acontecem por uma questão de azar, cultura ou falta de civismo, distribuíam-se por todo o lado, mas há zonas de acumulação que apontam claramente para a existência de fatores estruturais, sobre os quais podemos agir com eficácia”, revela o Expresso, citando Pedro Homem Gouveia, responsável pela área de segurança rodoviária da POLIS.

“Há sempre duas versões"

Fonte da PSP refere que é difícil falar de culpados nestas situações. “Há obrigações tanto para os peões como para os condutores e, perante situações destas, às vezes, não existem verdades para ambos”. O que se tem verificado ao longo dos anos na cidade é que “existe sempre duas versões, de ambas as partes”, e, segundo esta fonte, é “difícil, em determinadas situações, saber quem fala a verdade”. Revela ainda que, apesar “do forte investimento” por parte do município, a cidade continua a ter “demasiadas passadeiras, muito juntas umas das outras”. Dá como exemplo a Av. Benjamim Araújo, que tem uma “extensão de 300 metros povoados com sete passadeiras, o que é exagerado”.
Recorde-se que, além do reperfilamento da Rua João de Deus, a empreitada municipal “Cidade Inclusiva” – concluída em 2020 – contemplou a instalação de quatro passadeiras “inteligentes”, uma das quais nessa mesma artéria (junto ao Instituto de Línguas), outra na Avenida Renato Araújo (no troço entre a rotunda do hospital e o centro comercial) e as restantes na Avenida da Liberdade.
Essas passadeiras vieram reforçar, segundo a autarquia, que explicava na altura, as condições de segurança dos peões, “pois permitem a sinalização luminosa aos automobilistas, quando se verifica a aproximação de transeuntes para atravessar a via”.
Para a instalação deste tipo de travessias foram selecionados pontos críticos, de acordo com um levantamento dos atropelamentos ocorridos na cidade ao longo de 10 anos (2007-2017).
Para além dessas quatro passadeiras inteligentes, no âmbito da mesma empreitada foram beneficiadas cerca de 50 passadeiras e respetivos acessos, com melhoramentos, como a colocação de piso tátil para invisuais, o reforço da sinalização, a colocação de luzes intermitentes e o rebaixamento de passeios, dava conta o município.

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