Sociedade

Rostos sem Máscara - 34 - “Os porteiros estiveram sempre na linha da frente e poucos reconheceram isso”

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É um dos seis porteiros do Hospital de S. João da Madeira. Apesar de não ter “sonhado” com esta profissão, diz que a mesma lhe ensinou, ao longo dos anos, a ser “tolerante, a saber ouvir e tentar, sempre que possível, ajudar” quem ali se desloca.

Ricardo Silva, 45 anos, é um dos sete Assistentes Operacionais da Portaria no Hospital de S. João da Madeira, unidade que integra o Centro Hospitalar de Entre Douro e Vouga, com sede no Hospital São Sebastião (CHEDV), em Santa Maria da Feira. Ao ter conhecimento de que o Hospital da Feira estava a recrutar pessoas, em 1998, numa altura em que se preparava para entrar em funcionamento, decidiu concorrer. Estava disposto a qualquer posto de trabalho. “Era uma unidade nova”, e estava pronto para desafios. “Os recursos humanos convidaram-me para ser o porteiro. Não tinha, na altura, bem a noção da responsabilidade do posto”, confessa.
Começou a desempenhar funções mesmo antes da abertura da unidade feirense. Fez noites. Adaptou-se a uma profissão que desconhecia por completo. Ao fim de pouco tempo, descobriu que a mesma “não era fácil”, como inicialmente imaginou. “É necessário muita paciência, calma, ouvir, entender as pessoas, que chegam, muitas vezes, alteradas, porque se trata de uma urgência, e é da saúde que se fala”. A juntar a tudo isto, os turnos. “Trabalhar de noite, ainda hoje não é fácil. As mudanças de horários alteram-me completamente, pois acabo por não descansar o suficiente”.
Depois de vários anos na portaria da unidade sede, pediu transferência para o Hospital de S. João da Madeira. “Não estava a ser fácil ser o único porteiro. Vinham utentes de vários lados, era muita concentração de utentes e familiares, e deparava-me com situações por vezes complicadas de resolver. Agora já há polícia na urgência. Na altura não”. Ricardo, apesar de “gostar” do que faz, percebeu que estava a ficar “desgastado com tamanha responsabilidade e exigência”, e a solução foi mesmo pedir transferência. “Não é possível fazer comparações. São duas unidades muito diferentes e não há qualquer semelhança entre elas”, conta.

Ar­tigo dis­po­nível, em versão in­te­gral, na edição nº 3894 de O Re­gi­onal,
pu­bli­cada em 2 de junho de 2022

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