
Carlos Júlio Lopes morreu aos 79 anos, deixando um percurso marcado pelo rigor profissional e pela formação de várias gerações de jornalistas e comunicadores.
Natural de São João da Madeira, construiu grande parte do seu trajeto na Antena 1, onde se afirmou pela consistência do trabalho e pela proximidade aos ouvintes. Ao longo de décadas, consolidou uma reputação assente na exigência e no profissionalismo. O seu percurso cruza-se também com o período das rádios piratas, tendo integrado a Rádio Serra Mar, projeto de São João da Madeira que marcou uma época e abriu espaço ao aparecimento de novos comunicadores.
Para além da presença em antena, destacou-se como formador e mentor, acompanhando diversas vozes da rádio regional.
Fernando Eurico, radialista da RTP Antena 1 que trabalhou com Carlos Júlio Lopes, afirmou considerá-lo um dos seus melhores amigos e recorda-o como um profissional “generoso” e uma figura agregadora nas redações. “O desaparecimento dele está a doer-nos a todos”, afirma, destacando que “era daquelas pessoas que punha uma redação sempre bem disposta”. Sublinha ainda o espírito solidário do colega. “Gostava de ajudar os mais jovens” e “fazia um grande espírito de equipa”.
Apesar de ter entrado na RDP já aos 50 anos, Carlos “acabou por fazer história”, ao integrar os quadros numa fase tardia da carreira, fruto do reconhecimento das suas capacidades. “Correspondia obviamente a tudo o que lhe era exigido”, afirma a O Regional.
Fernando Eurico descreve-o como “um excelente colega”, marcado pela “cordialidade e ausência” de conflitos. “Transformava as redações sempre num local de união, não havia maldade nele”. Destaca também a sua abertura ao diálogo. “Mesmo já sendo cinquentão, aceitava sugestões, críticas. Era mesmo boa pessoa”.
“Eu não consigo encontrar uma pessoa que não gostasse dele”
A relação entre ambos ultrapassou o contexto profissional. “Eu considerava-o como o meu irmão mais velho”, confessa, evocando anos de convivência e trabalho conjunto.
Entre memórias pessoais e profissionais, o jornalista realça ainda a capacidade de empatia de Carlos Júlio Lopes junto de jogadores e treinadores. “Tinham uma maneira de abordar muito gentil”. “Eu não consigo encontrar uma pessoa que não gostasse dele”.
A morte de Carlos Júlio Lopes deixa uma ausência no panorama radiofónico, permanecendo o seu contributo associado à evolução do meio e à formação de quem hoje continua a dar-lhe voz.
O funeral realizou-se ontem, dia 15, em São João da Madeira.
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