Sociedade

Há 100 anos n’O Regional...

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Em fevereiro de 1922, foram duas as edições d’O Regional, tendo a primeira saído com a data de dia 12 e a segunda a 26 do mês.
Por essa altura, Zeca e Serafim trocavam correspondência. “Essa tua vida da serra enche-te a imaginação de sonhos lindos e quimeras maiores que a vida realista e animada da cidade te faria, a breve trecho, perder”, lê-se na primeira página da edição de 12 de fevereiro. No texto, em Lisboa, Serafim escrevia ainda: “não vejo, meu caro Zeca, razão para andares de côcoras diante da mulher, dessa mulher que, pelo que vejo, nem sabes quem seja, ou pelo menos que nunca viste [...] Ah! Ah! Ah! Que devaneios e que inocência a tua”. A resposta de Zeca veio logo na edição seguinte, e começava logo por dar nota de que a carta de Serafim viera com direção errada, mas lá lha haviam feito chegar. “Nós aqui, bisonhos serranos inexperientes, temos o descoco de levar a vida a sério e amar as criaturas cuja graça nos impressiona”, referia, afirmando estar “acima das insinuações aleivosas”, escusando-se de escrever sobre elas “uma linha sequer” e terminando com um “planta, pois, batatas quando for tempo”.

Há 100 anos, Firmeza assinava, na primeira página de 12 de fevereiro, um texto sobre “os menores empregados nas fábricas e a sua instrução”, no qual defendia que os industriais deviam vedar a entrada às crianças que não soubessem ler, considerando assim que “a instrução é, como a economia, a base da riqueza”. O mesmo artigo indicava que “’O Regional’ também se interessa pelo bem estar dos pobres [...] se alguns operários há bem pagos, outros há e são, talvez a mor parte, que não o são” e apelava aos industriais que pagassem conforme a consciência lhes mandasse, em palavras persuasivas e assentes quase numa ode à educação: “aliviai-lhes o sofrer; minorai-lhes o travor da vida; mitigai-lhes as amarguras da existência e depois, sim, depois é um dever, é um favor, é um serviço prestado à humanidade inteira obriga-los a que mandem os filhos à escola”. E concluía remetendo igualmente para o papel do diretor das escolas de S. João da Madeira.
Também esta primeira edição de fevereiro, note-se a publicação de um conto de Raul da Silva Veiga e episódios que se passaram na apresentação da peça de teatro ‘A Rosa do Adro’ em Oliveira de Azeméis, narrados por João [da Silva] Correia e que continuam na edição seguinte.
Em 1921, noticiava o jornal no ano seguinte, houve 148 nascimentos, 48 casamentos e 60 óbitos em S. João da Madeira, verificando-se, portanto, “um aumento de 88 habitantes”. Recorde-se que, neste mês de fevereiro de 2022, ‘O Regional’ noticiou que nasceram 89 crianças de mães sanjoanenses em 2021, ano em que a natalidade atingiu a nível nacional um mínimo histórico.
Na primeira página da edição de 26 de fevereiro de 1922, o destaque foi um texto no qual S. L (por certo, Serafim Leite) apresentava um olhar pelo operariado, abordando casos da Rússia e Alemanha. O autor remetia, entre outros aspetos, para um ciclo vicioso: “à medida que os salários sobem, aumenta o custo de vida”.
Na secção das charadas, Maria do Céu apresentava “a louca pretensão” de que o jornal recebesse a sua colaboração.
N’O Regional, há 100 anos, era assim.

 

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