
“Tratava-se de uma situação de saúde pública”, revela Lucília Soares, sanjoanense que encontrou um gato adulto morto na Rua Padre Américo, em São João da Madeira, no início de agosto, e garante que “tudo fez” com a ajuda de uma vizinha para que o corpo do animal fosse removido da rua “o quanto antes” e que “aquele cenário” não estivesse à vista de todos.
Num primeiro contacto, alertou a associação sanjoanense Ani São João, que se dedica à proteção de animais abandonados, mas foi informada de que a responsabilidade pela remoção do cadáver seria da Câmara Municipal. “Nunca estive perante uma situação destas e confesso que não sabia mesmo como proceder e o que fazer”.
De acordo com o relato da munícipe, após esse contacto inicial com a associação, dirigiu-se então à autarquia de São João da Madeira. “Disseram-me que era um assunto da responsabilidade da veterinária municipal e que era com ela que deveria reportar a situação”, conta a ´O Regional´. Após abordagem telefónica com a responsável municipal, Lucília diz ter exposto o caso, mas a resposta que recebeu foi de que “não podia enviar para lá ninguém”. Nenhuma justificação adicional lhe foi dada, garante.
Sem saber o que fazer e sempre na “expectativa de que os responsáveis municipais fossem ao local”, três dias depois o corpo do animal permanecia ainda no mesmo sítio. “Esta situação indignou-me a mim e a quem ali vive, pois víamos o animal morto e a decompor-se, com o sol a bater-lhe em cima”, afirma. O cheiro, descreve, tornou-se “horrendo” e algo tinha de ser feito.
Ideias partilhadas também por Cassilda Ferreira. “Uma coisa é não saberem de nada e outra é ignorarem aquilo que foi reportado. Afinal, que fazem os responsáveis no local e que resposta dão, na verdade, perante casos como estes”, questiona. Mas a sua revolta não fica por aqui. “Se vamos alertar para aquilo que se está a passar, se não podem fazer nada, que digam o que fazer e o que devemos fazer. O animal esteve ali de quinta a segunda. Na verdade, não sabíamos onde podíamos colocar o corpo do animal, com medo de cometermos alguma ilegalidade”, releva.
“Qual é o papel da autarquia nestas situações”
Diante da “inércia de quem tem competências para o efeito”, Lucília Soares acrescenta ainda a ´O Regional´que pediu ajuda a uma vizinha. “Tivemos de nos proteger bem, colocámos os restos do animal dentro de um saco e enterrámo-lo num pinhal.” Reconhece que não sabia se seria legal proceder dessa forma, mas garante que não teve alternativa. “Até ao momento, nunca fui contactada pela veterinária”, acrescenta.
A Câmara Municipal esclareceu, em declarações a ´O Regional´, que a recolha de animais mortos na via pública “é realizada pelo município, sob orientação da Veterinária Municipal”, sempre que existe comunicação por parte dos cidadãos ou deteção pelos próprios serviços da autarquia.
Relativamente ao caso concreto, a autarquia informa que a situação foi reportada à Veterinária Municipal ao final da tarde de quinta-feira, já após o encerramento dos serviços, “pelo que não houve condições para realizar a recolha nessa data”. A intervenção, segundo a mesma fonte, ficou agendada para o dia seguinte. Contudo, “não foi encontrado qualquer animal no local indicado, não tendo sido possível falar com quem comunicou a ocorrência, pelo facto de os serviços não terem esse contacto”, asseguram.
Esta explicação não convence as duas sanjoanenses, que afirmam que o animal entrou em estado de decomposição. “Temos provas das imagens e das datas em que as mesmas foram tiradas. O gato esteve lá todos estes dias”, rematam.
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