
A Fundação Gulbenkian recebeu, na passada sexta-feira, o encontro PARTIS & Art for Change, que contou com a participação da Associação de Jovens Ecos Urbanos, representada pela Maria João Leite
A edição deste ano reuniu artistas, investigadores, responsáveis institucionais e agentes comunitários para um dia de reflexão em torno dos direitos culturais, da participação cultural e do papel da arte na transformação social e territorial. O painel da manhã centrou-se na relação entre território, cultura e desigualdade, sendo que a fundadora da Redes da Maré (Rio de Janeiro) trouxe “um olhar crítico” a partir da sua experiência em 15 favelas da zona norte da cidade. Eliana Sousa Silva sublinhou que “não é possível falar de cultura quando direitos fundamentais estão comprometidos” e defendeu, ainda, a produção de conhecimento “a partir das próprias comunidades” como “forma de contrariar narrativas estigmatizantes sobre territórios periféricos”.
Foi neste contexto que a intervenção de Maria João Leite, dos Ecos Urbanos, ganhou “especial relevância”. A sua reflexão destacou a necessidade de “criar e sustentar relações de confiança com as comunidades”, em particular com os “públicos mais jovens”, e a importância da “presença continuada no território”. A partir de exemplos concretos do trabalho desenvolvido pela associação na interseção entre desenvolvimento social, arte, cultura e juventude, Maria João Leite reforçou que “a transformação social exige tempo, compromisso e enraizamento local”.
A experiência dos Ecos Urbanos foi apresentada como “um exemplo de trabalho” assente “na proximidade, na escuta ativa e na criação de espaços seguros de participação cultural”, onde os processos se constroem com “cuidado e respeito” pelos ritmos e identidades de cada território. Esta perspetiva foi partilhada por outros intervenientes do painel, que sublinharam que projetos artísticos de proximidade “só o são verdadeiramente quando colocam as comunidades no centro”.
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