
A missão humanitária transportou para Portugal 36 cidadãos ucranianos vindos de Varsóvia, na Polónia, que deixaram o seu país atormentado pela guerra. Duas dezenas ficaram em S. João da Madeira, os outros seguiram para o Porto, Guimarães e Portimão.
Foram cinco dias de viagem. O autocarro da Junta de Freguesia estacionou junto ao Pavilhão das Travessas, às 9h30, trazia sobretudo mulheres, crianças e adolescentes, numa iniciativa promovida pela Câmara Municipal e Junta de Freguesia, em parceria com a corporação dos bombeiros da cidade, bem como outras instituições e cidadãos. Dos 36 refugiados recolhidos em Varsóvia, na Polónia, numa operação que contou com o acompanhamento do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), do IEFP e dos embaixadores de Portugal na Polónia e na Ucrânia, 20 ficaram em S. João da Madeira, enquanto os restantes seguiram para outras cidades, nomeadamente Porto, Guimarães e Portimão.
Na chegada a S. João da Madeira era visível o cansaço. Com eles vieram também animais de estimação. O grupo de refugiados chegou a S. João da Madeira praticamente em silêncio. Para preservação da identidade e reserva da vida pessoal, foi pedido aos jornalistas para que não fossem divulgadas fotos das pessoas transportadas nesta missão.
Questionada por ‘O Regional’, uma jovem ucraniana, que pediu anonimato, referiu que “correu tudo muito bem durante a viagem”, apesar de “dias muito intensos”, devido às muitas horas de viagem no autocarro. “As pessoas estão fisicamente bem, mas psicologicamente muito cansadas por estarem há tantos dias em fuga. Há muita dor, quando o assunto é a família que deixámos na Ucrânia. Precisamos muito da vossa ajuda”, enfatizou.
Desde o primeiro dia que estes refugiados da guerra, que ficaram na cidade, foram acolhidos em apartamentos, destinados pela autarquia para os acolher. “Já temos 15 pessoas da Ucrânia que vieram por meios próprios ou com a ajuda de familiares, as crianças já foram acolhidas em escolas e encaminhadas para a aprendizagem do português, na Serafim Leite”. O mesmo acontecerá com estas pessoas que chegaram na última semana à cidade, explicou aos jornalistas o presidente da autarquia sanjoanense.
Jorge Vultos Sequeira garantiu também que “o desejo dos cidadãos ucranianos, que chegaram agora a S. João da Madeira, é regressar o mais cedo possível ao seu país e ajudar a reconstruí-lo, mas, enquanto for necessário, nós vamos dar-lhes apoio. Esperamos que encontrem em S. João da Madeira a paz e a tranquilidade, o conforto e a segurança que precisam”, afirmou

Normando Oliveira, Coordenador Municipal da Proteção Civil, e Vítor Cabral, do Gabinete de Apoio à Vereação da Câmara Municipal, chefiaram a equipa de voluntários que geriu o transporte dos cidadãos ucranianos, que aguardavam a vinda para Portugal. Vítor Cabral fez questão de realçar o “espírito de equipa que levámos e que trouxemos”.
Por sua vez, o Coordenador Municipal da Proteção Civil assegurou que, durante a viagem, uma das dificuldades encontradas passou pelo relacionamento e ainda pela comunicação, já que muitos refugiados, “além de não saberem o português, também não falavam inglês”. Destacou ainda a grande “resiliência deste povo, que parece estar maduro para estas situações, com tão pouco, e tratando-se essencialmente de mulheres que trazem os seus filhos, com uma esperança de futuro muito grande”.
Oleksiy Varenov, ucraniano, que serviu de intérprete durante a missão, explicou-nos que estes refugiados chegaram “muito cansados”, uma vez que estiveram aproximadamente uma semana à espera do autocarro para virem para Portugal. “Estas pessoas estão muito revoltadas com a guerra, estão com medo”. Explicou ainda que “não tiveram que pagar nada para saírem do país”, dado que diz ter conhecimento que há relatos de “carrinhas que levam pessoas para fora da cidade e que depois cobram muito dinheiro por pessoa”, o que leva muitos refugiados a hesitarem relativamente à saída.
Oleksiy Varenov diz ter questionado durante a viagem muitas pessoas se esperam um dia regressar à Ucrânia. “Não sabem. Vêm simplesmente à procura de uma vida melhor e disponíveis para trabalharem já”.
Artigo disponível, em versão integral, na edição nº 3884 de O Regional,
publicada em 24 de março de 2022
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