Sociedade

“Costurar Pontes de Aprendizagem”: quando educar também é um ato de amor que atravessa continentes

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Uma missão educativa e solidária levou duas professoras da E.B.1/J.I. do Parrinho, do Agrupamento de Escolas João da Silva Correia, até à Guiné-Bissau, onde desenvolveram uma parceria pedagógica com a Escola Comunitária Irina Boteta

Dinamizada pelas docentes Filipa Rosário e Virgínia Silva, a missão teve como principal objetivo ir além da entrega de vestuário, promovendo uma verdadeira ponte humana entre comunidades.
Sendo este um projeto da escola, toda a comunidade educativa da E.B.1/J.I. do Parrinho contribuiu para o sucesso desta missão. Os alunos desta escola participaram ativamente no projeto, escrevendo mensagens que seguiram nos bolsos dos vestidos e calções entregues às crianças guineenses. Pequenos gestos que ganharam um significado profundo no terreno. “Não estamos apenas a vestir crianças… estamos a dizer-lhes que são vistas, que são importantes”, refere Virgínia Silva. Coordenadora do grupo Dress A Girl Around The World de Santa Maria da Feira desde 2017, a docente explica que este movimento internacional de costura solidária visa apoiar crianças em situação de vulnerabilidade, mas que o seu impacto vai muito além disso. “É um projeto que combate a solidão, cria comunidade e devolve dignidade”, acrescenta, sublinhando que o envolvimento em contexto escolar permitiu integrar alunos, famílias e comunidade educativa em atividades com forte componente social e emocional.
A vertente pedagógica do projeto surgiu a partir de uma outra experiência. Filipa Rosário teve contacto com a realidade da Guiné-Bissau através de uma amiga médica, que lhe pediu apoio com materiais pedagógicos para trabalhar com crianças no terreno. A partir desse momento, as duas professoras decidiram unir esforços e projetos. Foi dessa união que nasceu “Costurar Pontes de Aprendizagem”, uma iniciativa que cruza educação, solidariedade e cooperação internacional, promovendo a partilha de conhecimentos e a criação de laços entre diferentes realidades.
No terreno, as docentes depararam-se com um contexto desafiante. Turmas numerosas, escassez de recursos, calor intenso e condições muito distintas das vividas em Portugal exigiram uma constante adaptação.
“O que vimos não nos deixou indiferentes… dói ver aquilo que vimos”, admite Filipa Rosário.
Ainda assim, destacam a resiliência das crianças, o empenho dos professores e a forte ligação entre a escola e a comunidade.
Durante a missão, houve também espaço para partilha pedagógica, nomeadamente na organização das turmas, aplicação de provas e introdução de pequenas estratégias de melhoria no funcionamento escolar.
“Às vezes, pequenas mudanças fazem uma grande diferença”, referem.
Um dos aspetos mais marcantes foi a realidade alimentar das crianças, sendo que muitas realizam apenas uma refeição por dia — garantida pela própria escola. Uma constatação que deixou uma marca profunda nas docentes e reforçou a consciência das desigualdades existentes.
No centro desta parceria está Mamadu Saido Djalo, diretor da escola envolvida na Guiné-Bissau e fundador da Associação Protege. A sua história de vida, marcada por dificuldades extremas, levou-o a dedicar-se à proteção de crianças e mulheres em situação de vulnerabilidade. Atualmente, acompanha centenas de crianças e famílias, procurando garantir condições mínimas de segurança, acesso à educação e apoio social. “Mais nenhuma criança deve passar pelo que eu passei”, é o princípio que orienta o seu trabalho diário.
No final da missão, o sentimento foi simultaneamente de gratidão e responsabilidade.
“Ajudar não envolve sempre dinheiro… envolve tempo e vontade”, afirma Virgínia Silva, deixando um apelo à participação da comunidade.
Os Eventos de Costura Solidária decorrem no último sábado de cada mês, entre as 9h e as 18h, no Centro de Estudos Saber Ser, em São João da Madeira, estando abertos a todos os que queiram contribuir.
Esta missão terminou, mas a vontade de continuar a ajudar saiu ainda mais reforçada.

Nota final
Quem quiser contribuir, pode apadrinhar uma ou mais crianças da escola parceira na Guiné-Bissau. Para tal, basta entrar em contacto com as docentes envolvidas nesta iniciativa. O apadrinhamento tem um custo de 200€ por ano e faz uma enorme diferença, ajudando a garantir o acesso à educação, alimentação e apoio escolar, oferecendo a estas crianças mais oportunidades e um futuro mais promissor.

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