Sociedade

Consumo de droga, às claras, nas casas de banho do Centro Coordenador

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Arrombam portas para entrarem no Centro Coordenador de Transportes. Não há alarmes ou câmara de vigilância a funcionar. Homens e mulheres injetam-se em plena luz do dia, espalham seringas pelo chão, atos de vandalismo em plena luz do dia

“É uma vergonha. Isto arrasta-se há anos”, expôs um dos muitos frequentadores diários do Centro Coordenador de Transportes que, como outros, preferem não revelar a identidade, com medo de represálias.
O consumo de droga é às claras. Na última semana, o cenário das casas de banho daquele espaço era uma verdadeira bandalheira e um nojo digno de registo. No acesso, à entrada de ambas (homens e mulheres), os vómitos espalhados pelo chão impediam a entrada de pessoas, afastando e impedindo-as de utilizarem dignamente aqueles sanitários. No interior, podia-se observar seringas com sangue, lixo espalhado por todo o lado, e nas cabinas os dejetos inundavam as sanitas. “A autarquia foi avisada e, 24 horas depois, aguardamos a chegada das senhoras para limparem”, contam.
As mesmas fontes avançaram também que estes homens e mulheres “forçam as portas de vidro, que são de correr, de forma a poderem entrar, passam cá a noite, porque estas instalações não possuem alarme, e é um cenário que se tem repetido”. Acrescentam que, apesar daquele espaço ter câmaras de vigilância, “não funcionam há longos anos”. As críticas chegam ainda à PSP. “Uma das vezes, depois de alertados, apareceram após duas horas”.
A empresa que ali presta serviço de limpeza, contratada pela autarquia, chegou, na última semana, 24 horas depois do alerta. Recentemente, a autarquia disse a ‘O Regional’ que paga cerca de “9.400 euros por ano pelo serviço de limpeza de todo o edifício”, que inclui o Centro Coordenador de Transportes e a Casa das Associações. O serviço de limpeza naquele espaço é prestado em “outsorcing, por parte de duas funcionárias, todos os dias úteis, efetuando-se, uma vez por mês, também a limpeza dos envidraçados”. O município explicava, ainda, que o serviço de limpeza era “monitorizado” por um funcionário municipal que se encontra destacado para o efeito.
Recorde-se que, em dezembro de 2020, ‘O Regional’ dava conta da preocupação e do alerta de muitos utilizadores do Centro Coordenador de Transportes que, já naquela altura, alertavam para a insegurança ali vivida, das combinações entre os toxicodependentes que usavam a cabine telefónica para marcarem o encontro, e depois bastava observar, uma vez que, pouco depois, chegava alguém, e instalavam-se nas casas de banho.
Garantiam mesmo que há meses que as autoridades competentes – Polícia de Segurança Pública e Câmara Municipal – tinham conhecimento deste sentimento de “medo” naquele espaço, tendo em conta que já o fizeram sentir, através de contactos enviados a estas instituições.
Esta semana, passámos pelo local e estivemos à conversa com utilizadores do Centro Coordenador de Transportes, que se mostravam desgostosos com o que dizem ser um “mau ambiente” de droga e “nojice permanente” que têm existido ao redor desta estrutura, que “tem um vigilante pago pela autarquia, mas que nunca ninguém o vê e muito menos atende o telefone”, um problema que garantem ser “antigo”.
Armando Pereira, um dos frequentadores do espaço, não se esconde e assume convicto aquilo que diz. “Eu já os vi a injetarem-se sentados nos lavatórios, não se afastam e ainda ameaçam se são chamados à atenção”. Mas não fica por aqui.

Poderá ter acesso à versão integral deste artigo na edição impressa do jornal ‘O Regional’ n.º 3934, de 6 de abril de 2023, ou no formato digital, subscrevendo a assinatura em https://oregional.pt/assinaturas/

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