Sociedade

Com eleições à porta, o que querem os sanjoanenses para a cidade?

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A pouco mais de dois meses das eleições autárquicas, as vozes de alguns sanjoanenses começam a fazer-se ouvir. António Silva, 60 anos, diz que, ainda não conhece os candidatos à Câmara Municipal e ainda não escolheu o seu preferido. A única certeza que expressa é a de que aquele que for eleito tem de “ter em atenção vários problemas” e promover uma “mudança em vários cenários”. Em declarações a ´O Regional´, reconhece que a cidade “não parou nos últimos anos”, mas defende que o novo executivo tem de “olhar para toda a cidade e não só para as zonas mais movimentadas”. No entender deste sanjoanense, “é necessário cuidar dos parques infantis, resolver problemas graves do Centro Coordenador de Transportes, desde o elevador até às escadas rolantes que estão sem funcionar há meses”.
Acrescenta António Silva que a imagem de São João da Madeira “tem de ficar mais bonita” e, para isso, é preciso “cuidar mais dos jardins na Mourisca e no Parrinho que, durante meses, estiveram invadidos com ervas. Foram cortadas esta semana, de forma tradicional, sem qualquer produto, mas daqui a poucos dias, volta tudo ao mesmo”, assegura. Este morador alerta ainda para o “número elevado de casas devolutas que deviam ganhar nova vida”. Critica ainda o atendimento em alguns serviços municipais. “Nem sempre conseguimos ser atendidos pelos responsáveis e o telefone toca sem que ninguém atenda”, garante.
Este sanjoanense defende que o futuro presidente da autarquia deve “dar prioridade a todas estas questões” e acrescenta que “as piscinas interiores devem estar nessas preferências”. Sublinha, em jeito de conclusão, que “a cidade tem de mudar”.

“A autarquia pode e deve fazer ainda mais neste campo da habitação”

Vítor Costa, de 20 anos, afirma que gosta de São João da Madeira e coloca “a cidade mais pequena do país à frente de muitas outras”. “Temos qualidade de vida, bons acessos a tudo. Acho que quem aqui vive partilha da minha opinião”, diz. Entre as prioridades que defende, destaca a questão da habitação. “Gostava de comprar ou arrendar uma casa, para sair da casa dos meus pais, mas não consigo encontrar um espaço que consiga suportar financeiramente. A autarquia pode e deve fazer ainda mais neste campo da habitação”, afirma.
Maria Oliveira, de 48 anos, aponta a insegurança provocada pelas más condições dos passeios como prioridade. “Já caí mais do que uma vez. Fiquei com marcas numa perna e no rosto. Recebi tratamento hospitalar. Há passeios em São João da Madeira que nem merecem esse nome. Há raízes de árvores a destruir tudo há anos”, denuncia. Acrescenta também que a cidade necessita de casas de banho públicas e de uma programação cultural mais acessível. “A que vamos tendo é para um público específico”.
A crítica repete-se noutras vozes. Armando Pereira destaca a calçada irregular, em especial na Rua 11 de Outubro, onde “os paralelos frequentemente se soltam”. Critica também a “areia usada nas obras de manutenção”, que considera ineficaz, e aponta o estacionamento em cima dos passeios como um dos principais agravantes. Este sanjoanense não esconde, ainda, o descontentamento em relação aos parques urbanos, dizendo que “a falta de manutenção tem que ser melhorada” e apontando em particular “os parques Nossa Senhora dos Milagres, Ferreira de Castro e rio Ul”.

“As descargas no rio Ul têm de acabar”

Pedro Pereira, que caminha diariament no parque do rio Ul, destaca outra falha: a falta de casas de banho públicas no espaço verde. “Há uma perto do café, mas na outra ponta do parque não há nada. Eu próprio já senti essa necessidade e a minha esposa também. Muitas mulheres passam pelo mesmo”, enfatiza. Alerta, também, para a poluição persistente no rio Ul. “Não se percebe o arrastar deste problema. As descargas no rio Ul têm de acabar. Ainda na última semana era visível a descarga”, garante.
A habitação é outro ponto sensível. Rosa Santos reconhece o esforço na reabilitação urbana, mas pede mais. “Há casas e prédios vazios. Junto à Casa da Criatividade, por exemplo, está um prédio de antigos escritórios que está literalmente abandonado. Podia ser aproveitado para habitação”, sugere.
Rosa chama também a atenção para os idosos. “Somos uma cidade envelhecida. É preciso tirar estas pessoas de casa, mostrar-lhes que ainda são úteis, motivar quem acha que já não serve para nada. É necessário fazer mais do que passeios ou atividades pontuais”.
No centro da cidade, o Mercado Municipal é outra preocupação. Lurdes Pinto, cliente habitual, acredita no seu potencial. “O mercado precisa de gente, de movimento, de animação. A câmara pode fazer isso. Devia ser um ponto de paragem obrigatória para todos”, defende.
No que diz respeito à cultura, há quem se sinta de fora. Manuel António, 73 anos, confessa nunca ter entrado na Casa da Criatividade. “Se tivessem teatro mais popular, como revista à portuguesa, ia muita gente. Os espetáculos são bons, mas não são para todos. Deviam diversificar mais”.
Outro munícipe, Francisco Costa, critica as más condições da Biblioteca Municipal. “Não se aguenta com o calor, não tem ar condicionado. Não atrai ninguém a este espaço. Não me lembro de terem feito melhoramentos nos últimos anos”. Com as eleições à porta, muitos sanjoanenses não pedem promessas, mas sim ações concretas. “Os sanjoanenses já disseram o que querem há muito tempo”, remata Francisco Costa.

“Animação permanente à Praça Luís Ribeiro”

Magda Resende, de 30 anos, considera que é urgente revitalizar o centro de São João da Madeira, apelando a uma aposta mais forte na animação urbana, especialmente em épocas festivas. “Quem for eleito nestas eleições deve fazer tudo para trazer animação permanente à Praça Luís Ribeiro”, afirma.
A sanjoanense critica a falta de dinamismo nas celebrações natalícias dos últimos anos. “As animações no Natal têm sido fracas, paradas e sem vida”, lamenta, apontando como exemplos positivos municípios vizinhos, como Oliveira de Azeméis e Santa Maria da Feira, onde “as atividades festivas atraem milhares de pessoas todos os anos”. Para Magda, é preciso “colocar os olhos neles”, defendendo que se esses concelhos conseguem atrair público, também a Câmara Municipal de São João da Madeira o deve conseguir. “Falta-nos a garra de atrair pessoas à cidade”, sublinha, lembrando que o único evento com real capacidade de mobilização tem sido o Festival do Gin.
Para além de uma maior intervenção da autarquia, Magda defende um papel mais ativo da Associação Comercial, em estreita colaboração com a Câmara Municipal. “É necessário desafiar os comerciantes a dar vida às montras e a atrair clientes para o comércio local”, sugere. Critica ainda o formato atual das iniciativas de Natal: “Não basta colocar uma tenda onde se paga para ver o Pai Natal ou um escorrega minúsculo. Isso não faz sentido”.
A munícipe sublinha que há ainda vários aspetos que precisam de ser melhorados na cidade, como os passeios, os jardins, os serviços de atendimento municipal e o apoio aos idosos. “Há muito para mudar em São João da Madeira”, conclui.

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