Sociedade

Câmara pede bom senso e mais tolerância aos fiscais do estacionamento pago

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Seis meses após a Câmara de S. João da Madeira ter atribuído a concessão do estacionamento pago na cidade à empresa DataRede, é positivo o balanço feito por sanjoanenses, pela autarquia, pela concessionária e pela Associação Comercial e Industrial.

O número total de lugares de estacionamento pago à superfície, em S. João da Madeira, é, atualmente, de 953, resultante da disponibilização de mais 97 lugares, na sequência da aprovação do Regulamento Municipal de Gestão da Mobilidade da cidade. A estes somam-se mais 450 lugares distribuídos pelos dois parques de estacionamento subterrâneos, um deles junto ao tribunal e o outro em frente ao mercado municipal.
Paulo Barreira, presidente da Associação Comercial e Industrial de S. João da Madeira (ACISJM), lembra a ´O Regional’ que a ACISJM sempre defendeu “a necessidade de aumentar o número de lugares de estacionamento em S. João da Madeira, especialmente através da criação de parques de estacionamento localizados nas zonas de maior afluência comercial”. Nesse sentido, admite que “a fiscalização é uma ferramenta importante para assegurar uma maior rotatividade nos lugares de estacionamento à superfície, o que, por sua vez, facilita o acesso dos consumidores aos estabelecimentos comerciais”. E reconhece também que “a concessão atual e a fiscalização têm contribuído para uma melhoria significativa na disponibilidade de lugares de estacionamento livre, precisamente pela rotatividade que a fiscalização proporciona”.
Mas este responsável faz igualmente um alerta: “esta medida, apesar de positiva, não resolve todos os desafios enfrentados pelos comerciantes e seus colaboradores”. Refere-se o dirigente a “um número significativo de empresários e trabalhadores do comércio que reside fora do concelho e necessita de utilizar o veículo para exercer a sua atividade em S. João da Madeira”. Defende, por isso, como “imperativo que se pense numa alternativa que permita a estes profissionais estacionarem os seus veículos durante o horário laboral sem custos elevados, evitando ao mesmo tempo ocupar lugares em frente aos estabelecimentos, que devem estar disponíveis para os consumidores”. Paulo Barreira sublinha a “necessidade de criar mais parques de estacionamento, uma medida que beneficiaria tanto os comerciantes como os consumidores” e “explorar soluções que permitiam aos comerciantes oferecer estacionamento gratuito aos clientes que façam compras nas suas lojas”, como forma de incentivar as compras no comércio local.
José Gomes, um condutor que pretendia deixar correspondência nos CTT, quando foi abordado por ´O Regional`, garante que “são notórias as alterações”, acrescentando que “agora até se consegue estacionar na Rua 11 de outubro, quando antigamente era impossível”. Não tem dúvidas de que “agora está melhor para estacionar”, embora considere que continuam a faltar lugares na cidade, porque “as obras que fizeram na rua do museu roubaram muitos lugares”.
Pedro Miguel, outro sanjoanense utilizador de automóvel na cidade, reconhece que “agora há muito espaço” para estacionar e dá como exemplo “o parque do mercado ou do tribunal que são baratos e têm sempre lugares”. Aponta também o dedo às pessoas que “mesmo com lugares vagos deixavam o carro no passeio para irem aos correios”, adjetivando essa atitude como “um abuso”. Este sanjoanense destaca ainda a vantagem da aplicação, instalada no telemóvel ou tablet, que permite ver há quanto tempo se está a usar o equipamento e qual o total a pagar, recebendo um alerta, quando o tempo de parqueamento está a terminar. Mas manifesta desagrado pelo que diz ser a “marcação cerrada por parte de um ou outro fiscal” que “passados cinco minutos, já estão ali ao lado para multar”. Inconformado com isso, diz que “uma coisa é não ter papel, outra é passar alguns minutos”.
Elvira Mendes também lamenta a “fiscalização cerrada” que “não faz sentido, se passar poucos minutos”. Entende esta sanjoanense que os fiscais “deviam era preocupar-se apenas, se não houver papel de pagamento” dentro do carro, porque “uma vida sem tolerância não faz sentido”. Ainda assim, admite que a mudança no estacionamento “é bem visível e para melhor”, dizendo “agora, vou conseguindo estacionamento, quando antes de haver fiscalização, custava vir levantar o apartado da empresa aos correios, por não ter onde deixar o carro”. Manifesta-se, por isso, satisfeita e graceja ao perguntar: “Temos que pagar? Noutras cidades também temos e não reclamamos”.

Oposição denuncia “atitude pidesca” 

A fiscalização do estacionamento foi tema na última reunião camarária, realizada a 26 de agosto, com a Coligação A Melhor Cidade do País a acusar a concessionária de “atitude pidesca”. O vereador Tiago Correia afirmou que “há relatos de fiscais da empresa DataRede que estão à espera que o tempo termine para autuar as viaturas” e apela ao “bom senso”. O vereador deixou ainda críticas à aplicação móvel que pode ser utilizada no estacionamento. “O prazo máximo de estacionamento de um veículo são duas horas, mas a aplicação continua a contar e os condutores são autuados”, denunciou, afirmando que a empresa tem de retificar a aplicação, já que há “vários relatos” sobre esta falha. “Os munícipes estão a pagar parquímetro e a multa”, lamenta.
O Presidente da Câmara Municipal de S. João da Madeira, Jorge Sequeira, admitiu, nessa última reunião de Câmara, que “alguns munícipes têm feito chegar um sentimento semelhante”, assegura que todas as reclamações são encaminhadas para a empresa e que a autarquia tem insistido “para que haja bom senso”. O vereador Tiago Correia avisou que “se a empresa não tiver bom senso”, o regulamento pode ser alterado, demonstrando abertura por parte da oposição para mexer no documento. Jorge Sequeira prometeu dar conta destas preocupações à concessionária.

Poderá ter acesso à versão integral deste artigo na edição impressa n.º 4000, de 5 de setembro de 2024 ou no formato digital, subscrevendo a assinatura em https://oregional.pt/assinaturas
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