
2021 foi o ano em que todos os caminhos foram dar à sala de fornos da Oliva Creative Factory. A vacinação, face à covid-19, foi o motivo para este posicionamento daquele espaço municipal.
Durante meses discutiu-se os benefícios de cada fármaco, das consequências da inoculação, da imunidade populacional e sobretudo da eficiência das vacinas face às novas variantes do vírus.
Após a toma, mesmo com a proteção de máscaras, a população recuperou confiança para retomar atividades do seu dia-a-dia, apesar de ser confrontada com comportamentos abusivos e com indicadores de saúde que permitiram concluir que todo o processo de irradicação de pandemia é longo e será necessário muita paciência e cuidados para o fenómeno se tornar endémico.
No geral, a população aderiu e muitos passaram a conhecer a reabilitação operada em devido tempo na antiga empresa metalúrgica. Oportunidade para constatar o estado de degradação a que chegou o trabalho de Vhils, mas também, para verificar que o pedaço de muro de Berlim, oferecido ao município pelo casal Norlinda e José Lima, está agora mais visível e enquadrado com mais dignidade. Qualidade igualmente transmitida ao estacionamento envolvente.
No tempo de espera para o atendimento, ou no recobro, houve vários encontros, sobretudo geracionais, atendendo ao processo de organização da vacinação, que permitiram reencontros sociais que a pandemia havia retirado.
Tudo ainda está longe de terminar, como se vê na chamada para a 3ª toma da vacina, pelo que é importante no balanço do ano focar outros aspetos igualmente relevantes.
Do ano que está a terminar, destaque para o anúncio dos dados provisórios dos censos, com o aumento da população de São João da Madeira, em contraste com o mesmo indicador a nível nacional e na região, onde o concelho está inserido. As boas notícias demográficas não foram acompanhadas pelo recenseamento eleitoral. A freguesia baixou de patamar, passando a eleger apenas 13 elementos para a sua Assembleia, o que retira a pluralidade ao órgão autárquico. Esta diminuição relança o debate sobre a participação dos imigrantes na vida política portuguesa.
Em ano de eleições autárquicas, o município concretizou algumas remodelações urbanas, embora protelasse outras empreitadas para os anos seguintes. No final de setembro, no escrutínio autárquico, o PS conquistou nova maioria em todos os órgãos, contudo, obteve uma perda acentuada de votos. Um aviso para o futuro. Apesar da reconhecida vitória, o grau de exigência dos eleitores continuará elevado e a imprevisibilidade eleitoral é cada vez mais uma certeza. Há expectativas para este segundo mandato, esperando-se que até 2025 haja capacidade de execução e de captação de investimento, para concretização de projetos antigos.
Após o 95º aniversário da emancipação concelhia, o jornal Regional decidiu ouvir alguns conterrâneos que escolherem viver em São João da Madeira e têm atividade profissional fora do concelho. Percebe-se que existe, nas várias visões apresentadas, um potencial de melhoria do quotidiano da cidade que não passa forçosamente pela pelos projetos partidários. Mais do que um resumo, ficou claro para quem tem que se deslocar para os polos urbanos, que a situação ferroviária atual não serve, nem muito menos a que está a ser projetada. Auscultados agentes da cultura, o sentimento que transparece é que a articulação das novas valências municipais (Casa da Criatividade e Centro Arte Oliva) com a Associação Cultural Alão de Morais é uma necessidade, pela vontade em criar públicos interessados e com isso dar dinâmica aos espaços físicos, que acolhem concertos, teatros e dança e também as coleções de arte. Finalmente, a perspetiva de um jovem estudante de artes, que não encontrou na cidade resposta às suas vontades, cimenta a observação anterior, do interesse do público e também constata o êxodo de jovens, contudo, é a ausência de respostas à inquietude da juventude, com exceção da organização anual da semana da dita, que devemos destacar.
É tempo agora de desejar umas Boas Festas aos leitores.
Esperando que 2022 seja um ano de muita saúde.
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