
Nos últimos tempos, tem-se assistido, com tristeza e preocupação, a um cenário que fragiliza a relação entre S. João da Madeira e o seu património natural, o abate contínuo de árvores nos dois principais parques da cidade, o Parque do Rio Ul e o Parque Nossa Senhora dos Milagres.
A cada intervenção, as motosserras cortam sem dó nem piedade as árvores, muitas delas com décadas de vida, sem que se perceba claramente quais são os critérios para tal decisão. Mais grave ainda, não há reposição visível dessas árvores, deixando espaços vazios onde antes havia sombra, frescura e vida.
Não se sabe ao certo qual o destino dado à madeira resultante destes abates, nem se existe um plano de compensação ambiental que justifique tais ações. Pergunta-se: será que não seria possível investir na manutenção e recuperação destas árvores, em vez de simplesmente as eliminar? Muitas vezes, um tratamento adequado, a poda responsável ou o reforço do solo poderiam prolongar a vida destas gigantes silenciosas que tanto contribuem para o bem-estar da cidade.
O impacto negativo destas ações não é apenas estético. A perda de árvores significa menos sombra e mais calor, contribuindo diretamente para o aquecimento urbano, a redução da biodiversidade e a degradação da qualidade do ar. Num tempo em que se fala tanto de sustentabilidade e combate às alterações climáticas, estas decisões soam a um retrocesso.
São João da Madeira merece parques vivos, frescos e cheios de verde, não espaços desolados onde a memória da natureza se perde aos poucos. Cuidar das árvores é cuidar da cidade, e cortar indiscriminadamente é, de certa forma, cortar o futuro.
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