
Há decisões políticas que não fazem barulho… mas fazem diferença.
A atribuição de bolsas de estudo para o ensino superior a alunos residentes no concelho de São João da Madeira é hoje um bom exemplo disso.
Durante anos, o modelo era limitado: havia um número fixo de bolsas, definido pela verba disponível. E isso significava uma coisa simples: nem todos os estudantes elegíveis eram apoiados. Alguns ficavam de fora. Não por falta de mérito, não por falta de necessidade, mas porque o número “já tinha esgotado”.
Em 2024/2025, isso mudou.
Com uma proposta apresentada pela coligação PSD/CDS-PP, na altura na oposição e hoje no executivo, passou a aplicar-se um princípio mais justo: todos os candidatos elegíveis passam a ser contemplados. Não há exclusões administrativas nem regulamentares. Há uma lógica simples: quem cumpre os critérios, tem direito ao apoio.
Para o ano letivo 2025/2026, está prevista uma verba global de 60.000 euros, distribuída de forma igual por todos os estudantes cujas candidaturas cumprem os critérios definidos.
Apoiar os jovens no acesso ao ensino superior, garantindo igualdade de oportunidades, não é despesa, é investimento no futuro dos estudantes e no futuro da cidade.
Mas o mais relevante não é apenas o valor, é o princípio.
Porque o que mudou não foi só o número. Foi a forma de olhar para o problema. Deixou de se gerir a escassez para se responder à necessidade. O sistema passou a adaptar-se às pessoas, e não o contrário.
E isto é política pública bem feita.
Mas isso não impede de olhar mais à frente. Reconhecer que o modelo é mais justo não significa dizer que está terminado. Há espaço para evoluir, seja através de um reforço gradual da verba, seja com a adaptação do apoio às diferentes realidades dos estudantes.
Não estamos a falar de gastar mais. Estamos a falar de gastar melhor, de forma mais justa, mais transparente e mais alinhada com a realidade.
Agora, vale a pena olhar à volta.
Em muitos municípios, como Santa Maria da Feira ou Oliveira de Azeméis, os modelos continuam a funcionar com base em vagas limitadas, critérios de seriação e decisões que, na prática, acabam por deixar estudantes elegíveis de fora. Em alguns casos, surgem até exigências adicionais que condicionam o acesso ou a continuidade do apoio.
São opções.
Mas há uma diferença clara: num modelo decide-se quem entra; no outro decide-se não deixar ninguém sem acesso.
E isto não é um detalhe técnico, é uma escolha política.
Num território como o nosso, onde tantas famílias fazem sacrifícios para manter os filhos no ensino superior, uma bolsa pode ser a diferença entre continuar… ou desistir.
Entre ficar…ou sair. Entre ter futuro… ou adiar sonhos.
É por isso que este modelo deve ser valorizado, e encarado como um ponto de partida sólido.
Porque quando a política é capaz de ser justa, simples e eficaz ao mesmo tempo, não há muito a inventar.
Há apenas uma coisa a fazer: continuar.
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