
Após contados os votos, os comentadores falaram, dos números, dos vencedores, dos derrotados e de quem deve ir para o governo. Falaram de muitas coisas e sentenciaram o fim da CDU, e do PCP.
Na segunda e na terça feira, a cassete continuou e o meu gato, do qual eu gosto muito, e por isso recuso-me a esterilizá-lo, ouviu da boca da gata da vizinha, com quem tem uma relação colorida, há muitos anos, que a Senhora do Eixo do Mal, pela décima quarta vez desde 9 de Novembro de 1989, escreveu com a sua pena, no tom que lhe é peculiar e com a certeza cientifica que a caracteriza, que nós, os comunistas, morremos. Por esse motivo, enquanto não sinto o rigor mortis, vim às pressas escrever este texto, para a eventualidade da Senhora ter razão. Como ser vivo que sou, sei que o termo da minha vida está cada vez mais próximo e, face aos vaticínios de gente tão assertória, tenho mesmo que me preparar. Enquanto me preparo, aproveito para dizer o que penso, sobre o que se vai falando por aí.
Num momento em que o espaço mediático fica lotado com o que se comenta e escreve sobre acordos, seja com a IL ou o Chega, estou convicto que o projecto da AD, influenciado por liberais e cheguistas, agravará as condições de vida de quem vive de rendimentos do trabalho. Como a morte me foi anunciada, é provável que não esteja cá para ver, mas temo o agravamento dos salários, das pensões e a hipótese, pelo menos tentada, de destruição das funções sociais do Estado. Não auguro que esta composição de forças da AD, mais a sua direita-extrema, contribua para corrigir os problemas do SNS, da educação, da habitação, da segurança, da protecção social, etc.
O resultado da CDU, com a redução da sua representação parlamentar e uma percentagem abaixo das eleições anteriores, é um acontecimento negativo, para quem defende um projecto de diminuição das desigualdades e de mais justiça, mas face à hostilidade dos grandes meios de comunicação social, da prolongada falsificação sobre as suas posições politicas, do cada vez mais frequente discurso de ódio na sociedade e de uma enganosa manobra mediática de que o que estava em causa não era eleger deputados, mas antes eleger entre dois candidatos um primeiro-ministro, pode dizer-se que a CDU resistiu.
Após contados os votos, os comentadores não explicaram que no dia seguinte, logo de madrugada, muitos dos que na sexta-feira anterior fizeram campanha pela CDU, estiveram às portas de várias empresas a apoiar trabalhadores despedidos, juntos com a população: a reclamar contra a falta de médicos de família; mais habitação; a falta de professores; melhores reformas e outras coisas mais. E fizeram tudo sem esmorecer, com o mesmo entusiasmo com que intervieram na campanha eleitoral.
O que a Senhora do Eixo do Mal, não disse, porque não sabe nem quer saber, foi que o primeiro vaticínio da morte do PCP, foi proclamado na comunicação social, pelos comentadores do sistema, alguns meses após o golpe fascista de 28 de Maio de 1926, há 96 anos. Daí em diante, a cada passo, lá vieram os fazedores de opinião, como ela, anunciar a morte do PCP.
Não sei se estarei cá para ver, uma vez que a dita me fez este enguiço, mas sei que quem cá estiver, contará com a acção da CDU para lutar por melhores condições de vida. Os compromissos da campanha - salários, pensões, habitação, saúde, direitos das crianças, dos pais, das mulheres e da juventude, temas como o ambiente, a conservação da natureza, a Paz e outros - serão levados à Assembleia da República
Não tenho a menor dúvida que todos, todos que precisarem, contarão com a CDU!
O autor escreve segundo o antigo Acordo Ortográfico
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