
Todas as semanas, cerca de três dezenas de equipas acedem a recintos de desportivos, envergando equipamentos com as cores e o símbolo da Associação Desportiva Sanjoanense (ADS).
Esta dinâmica dos jovens, envolvendo centenas de praticantes de variadas modalidades desportivas, é uma atitude antiga em São João da Madeira.
A necessidade de treino durante a semana e a vontade de praticar desporto, em idades menores, criaram uma pressão enorme sobre as secções desportivas, pelo que todos os espaços desportivos existentes na povoação foram sendo ocupados, nos horários após o leccionamento das aulas e pela noite fora, para absorver atletas em regime pós-laboral. Ao final da semana, o constrangimento continuava.
A edificação, por parte da autarquia, de novas infraestruturas desportivas aliviou essa pressão e permitiu ao clube acolher mais jovens e aumentar a oferta ao género feminino, tornando o clube numa referência a nível nacional, pelo número de atletas inscritos, face à população da cidade.
Reconhecer este mérito da ADS, no momento em que perfaz cem anos, ajuda a compreender a sua afirmação no panorama desportivo distrital, nacional e mesmo internacional, com os feitos alcançados.
Ano após ano, qualquer jovem, que pretenda praticar uma das modalidades oferecidas por este clube, sabe que terá essa oportunidade.
É assim, desde o final da década de 1970. Futebol, Hóquei em Patins, Basquetebol e Andebol agregaram gerações de jovens. Com valores individuais a despontarem cedo para carreiras profissionais, sobretudo no Futebol, o que motivava os restantes praticantes que permaneciam, ou ingressavam anos depois, nessas camadas jovens, tornando as várias equipas mais competitivas.
Ascender ao escalão sénior, jogar nas equipas principais, passou a ser algo pretendido na década de 1980, quando as modalidades de pavilhão coincidiram na primeira divisão e competiram na elite nacional. Aos jovens locais, na maioria dos casos, juntavam-se jogadores com outra experiência e a fusão de talentos permitiu obter, por várias épocas desportivas, bons resultados que culminaram com a vitória internacional no Hóquei em Patins.
Dessa época para cá, o modelo do clube manteve-se.
Houve descidas de divisão. Procurou-se a subida, o que se conseguiu atingir por vezes, havendo dificuldades em permanecer por várias épocas em divisões superiores. No entanto, sempre houve jovens, com a formação efetuada no clube, a procurar a afirmação enquanto seniores e como atletas profissionais.
Sendo certo que nas últimas décadas outras páginas de glória foram escritas, como por exemplo, a conquista da Taça de Portugal em Hóquei em Patins em Feminino e mais recentemente, uma equipa de veteranos de Andebol venceu o seu Campeonato Nacional. Além dos feitos de Ana Rodrigues, que enquanto nadadora da ADS conquistou uma série de títulos individuais.
É certo que o entusiasmo dos simpatizantes e sócios, nem sempre é o mesmo. Muitas vezes pela observação de coletividades de terras vizinhas, estruturados de forma diferente, com vastos apoios financeiros, ocupando por isso lugares cimeiros em algumas modalidades, contudo, com um modelo associativo diferente, menos secções, em contraste com a ADS – além das quatro coletivas mencionadas, da igualmente referida Natação, existe também a secção de Patinagem e de Ginástica. Outra vezes, pelo saudosismo das tardes a assistir a partidas bem disputadas no Estádio Conde Dias Garcia, ou no Pavilhão dos Desportos, pela recordação de equipas aguerridas, que disputavam o jogo com afinco e lutando sempre pela vitória, fosse qual fosse o adversário.
Como sócio, atualmente com o número 498, o que espero da ADS é um misto destes 3 sentimentos. Racionalmente como clube vocacionado para as camadas jovens, com a perspetiva de absorver os mais persistentes no degrau superior. De preferência com um modelo económico diferente, que permita gerar receitas para melhorar as condições de treino e de jogo, até para a assistência e igualmente para melhorar as folhas salariais dos seus profissionais. Por outro, o lado mais emotivo, espero sempre os melhores resultados e uma época desportiva melhor que a anterior. Como nem sempre é possível, tenho que continuar a ser um sócio resignado.
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