Opinião

Necessita-se de Políticas para as Pessoas

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Há muita gritaria, acompanhada de actos rocambolescos e de mediatização intensiva da comunicação social dominante. São «casos e casinhos» que nos entram várias vezes por dia, todos os dias, nas nossas casas, pela TV.

Vivemos tempos difíceis. Agravam-se as condições de vida. Ao agravamento do dia a dia das famílias, junta-se um conjunto de incidentes inaceitáveis que envolvem membros do Governo.
Não têm faltado cenas degradantes para alimentar os telejornais e remeter para segundo plano os problemas: dos trabalhadores; dos reformados, e dos pequenos e médio empresários. As demissões e outras peripécias no Governo, os insultos a um Presidente de um país amigo, por um grupelho ruidoso, e a malcriadez liberal dentro do edifício da Assembleia da República, divulgada nas redes sociais, são exemplos preocupantes para a democracia.
No primeiro de Maio, milhares de pessoas gritaram que «o custo de vida aumenta e povo não aguenta», mas esta reclamação, pouco noticiada, não é assunto para os comentadores.
É verdade que o Governo se descredibiliza com os casos que cria, porém, mais se descredibiliza pela falta de resposta aos problemas laborais, económicos e sociais, mas nesta matéria o Presidente não se mete, nem dá ralhetes ao Primeiro-Ministro.
Entretanto, somos confrontados com os comentadores costumeiros, a dissecarem os incidentes ocorridos no Governo e a especularem sobre o próximo episódio da actual novela da nossa República. Na realidade, a generalidades dos portugueses nada ganha com especulações dos media. O seu verdadeiro interesse é saber: se o salário ou a pensão sobe; se conseguem comprar alimentos; se o dinheiro chega para comprar os medicamentos e se podem garantir uma habitação digna. A tão desejada maioria que o Partido Socialista conseguiu, com a colaboração política de Marcelo Rebelo de Sousa, não está a levar à prática o tão propagandeado «orçamento mais à esquerda de sempre».
A sequência de ocorrências, motivou a desunião política Marcelo/Costa. O Chefe de Estado ameaça que, de agora em diante, vai falar (ainda) mais e, entretanto, os sociais-democratas reclamam.
. O PSD reclama, mas um dos seus dos grandes problemas é o facto do Governo estar a promover muitas políticas que são suas – foram-lhe roubadas. Não acreditamos que a direita, agora reconfigurada, esteja interessada a fazer melhor que o PS no plano: dos salários; das pensões; da habitação; da saúde; da educação; etc. O último governo PSD/CDS cortou salários e pensões, atacou o subsídio de férias e de Natal, piorou os serviços sociais do Estado. Não é provável que a direita se afaste deste paradigma.
As famílias e as empresas precisam de estabilidade. Nada impede o Governo de promover medidas que contribuam para a melhoria económica e social dos portugueses. São necessárias políticas para as pessoas.
Marcelo passa a vida a falar de dissolução da Assembleia e Costa está sempre a pôr-se a jeito. Veremos onde o conflito dos palácios (Belém / S. Bento) nos vai levar. Ainda há pouco o País votou.
Só nos faltava mais eleições, para ficar tudo na mesma!

O autor escreve segundo o antigo Acordo Ortográfico.

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