fotografias com HISTÓRIA com fotografias - António José Pinto de Oliveira – o fundador da OLIVA (I)

Há homens de quem não é possível dizer o que quer que seja, sem falar da influência que neles tiveram os pais. António José Pinto de Oliveira é um desses homens. Para se compreender o seu percurso de vida, é preciso recuar no tempo e conhecer, com alguma profundidade, o caminho percorrido pelos seus progenitores, os acontecimentos que os marcaram, os padrões psicológicos que, de forma automática e inconsciente, passaram aos filhos, os valores que lhes transmitiram.
Quando António José Pinto de Oliveira nasceu, aos onze dias do mês de setembro de 1887, seus pais, António José de Oliveira Júnior e Carolina Pinto de Almeida, ele natural de S. João da Madeira, ela de Macieira de Sarnes, encontravam-se no Porto, onde trabalhavam como chapeleiros. Foi batizado na Igreja Matriz do Bonfim, freguesia anexada pela cidade que, à época, sentia cada vez mais “o acelerar da modernidade e da industrialização”.
Oliveira Júnior, filho de pai e mãe sanjoanenses, fez-se à vida muito cedo, tendo viajado para Tomar, onde foi marçano e caixeiro. Durante o período que permaneceu naquela cidade, frequentou, em horário pós-laboral, uma escola de religiosos, o que lhe permitiu adquirir uma cultura mais consistente. Regressou a S. João da Madeira para trabalhar como operário numa pequena indústria que se dedicava ao fabrico de chapéus de lã. Casou e foi para o Porto, onde tinha família, para dar um novo rumo à sua vida. De operário, num grande estabelecimento produtor de chapéus de pelo, passou a empregado de escritório, o que lhe permitiu conhecer, em pormenor, a dinâmica do negócio.
Em 1890, volta à terra natal, com o propósito de criar a sua própria empresa. Depois de uma tentativa sem o sucesso desejado, encontra em Pedro Martins Palmares o parceiro ideal para a realização desse sonho. É assim que, um ano volvido, surge a fábrica a vapor “Oliveira & Palmares”, que introduziu, em S. João da Madeira, a produção de chapéus de pelo ou “chapéus finos”, como eram então designados.

Em 1904, Benjamim Araújo e António José Pinto de Oliveira – este sem capital –, entram na sociedade da firma, que passa a ter a designação de “Oliveira, Palmares, Araújo & Cª, Lda.”
Benjamim Araújo e Oliveira Júnior, quer pelos laços familiares, quer pelas relações de amizade, tiveram sempre uma forte ligação aos Pinhos da Corujeira, Milheirós de Poiares. Eram frequentadores assíduos da mansão de José António de Pinho e de sua esposa, Ana Amália Travassos. Terá sido aí que o adolescente António José Pinto de Oliveira conheceu Auta Braulina, uma jovem brasileira, “interessante pupila de José António de Pinho”, segundo uma nota de imprensa da época, publicada no jornal “Correio da Feira”.
No dia 25 de março de 1906, António José e Auta Braulina, ele com 18 anos, “autorizado pelo legítimo superior” e ela com catorze, “legalmente autorizada por alvará do juízo da comarca da Feira”, casam-se na Igreja de S. Miguel, de Milheirós de Poiares.
Benjamim Araújo deixou a sociedade, “por sua livre vontade”, e a firma passou a ter a designação de “Oliveira, Palmares & C.ª, Lda.” A falta de espaço provocada pelo aumento da produção e a necessidade de aperfeiçoar o processo de fabrico fizeram com que os três sócios – Pedro Palmares, Oliveira Júnior e António José Pinto de Oliveira – optassem pela construção de um novo edifício fabril.
(Continua)
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