
Tenho consciência que a linha do Vouga não diz muito aos Sanjoanenses. Tal como está, de pouco nos serve atualmente.
Gostaria de entrar num comboio em S. João da Madeira e chegar ao Metro do Porto, sem ter de mudar de comboio em Espinho, por um preço de 40 euros por mês?
Se este assunto não lhe parecer importante, peço que desista de ler este texto. Caso considere o assunto interessante, convido-o a que leia até final.
Tenho consciência que a linha do Vouga não diz muito aos Sanjoanenses. Tal como está, de pouco nos serve atualmente. Mas não é da linha do Vouga que quero falar. Do que quero falar é de uma ligação direta de comboio até ao Porto. Ou seja, transformar o troço da linha do Vouga entre Oliveira de Azeméis e Espinho, num ramal da linha do Norte, de forma que os comboios que passarem em S. João da Madeira possam também circular na linha do Norte. O que hoje não pode acontecer porque a distancia entre os carris na linha do Vouga é menor que na linha do Norte.
O que é necessário então fazer?
Alterar a bitola da linha atual, tornando-a igual à linha do Norte;
Corrigir o traçado atual, eliminando as curvas mais acentuadas, para aumentar a velocidade;
Integrar o troço entre Oliveira de Azeméis e o Porto na rede do “Andante Metropolitano” que custa 40 euros por mês.
Não tenho opinião formada, porque não estudei devidamente o assunto, sobre como deve ser a bitola na linha do Vouga no troço de Oliveira de Azeméis para Sul. Tenho a certeza de que os autarcas daqueles concelhos saberão defender da melhor forma os interesses dos seus habitantes.
Apenas tenho posição, e muito convicta, sobre a necessidade de garantir que os habitantes da parte Sul da Área Metropolitana do Porto tenham condições semelhantes às que estão disponíveis para os habitantes da Póvoa do Varzim ou de Vila do Conde acederem à cidade do Porto.
Os 45 ou 50 milhões de euros que a obra possa custar são uma pequena parte dos quase 300 milhões de custos adicionais da mera ampliação de duas linhas do metro de Lisboa. Refiro-me apenas ao sobrecusto recentemente aprovado e não ao custo total. Estamos a falar de uma população do Entre Douro e Vouga de quase 300.000 pessoas e dum investimento que durará mais de 100 anos. É preciso notar que o último investimento ferroviário na nossa região foi em 1908. Já lá vão 115 anos! O investimento que defendo representa menos do que 0,5% do custo do Plano Ferroviário apresentado.
Compete aos autarcas desta região e aos demais agentes políticos, económicos e sociais decidirem qual a importância a atribuir a este assunto, se é ou não justa e adequada a sua defesa e qual o grau de compromisso político que a causa merece. Aos técnicos ferroviários pede-se apenas que esclareçam se a ligação direta ao Porto é ou não tecnicamente possível e quais as melhores soluções técnicas para assegurar o objetivo desejado.
Na minha modesta opinião, seria gravíssimo aceitar que S João da Madeira e os Municípios vizinhos pudessem ficar sem uma ligação ferroviária ao Porto em boas condições de tempo e de conforto. Isso significaria relegar-nos definitivamente para a segunda divisão dentro da Área Metropolitana do Porto.
O Governo colocou em discussão pública o Plano Ferroviário Nacional. Se o fez é porque quis ouvir as opiniões das diferentes zonas do país. É este o momento de tomar posição, ou ficaremos culpados para sempre pela nossa falta de visão estratégica ou falta de coragem.
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