Opinião

As Eleições decisivas

• Favoritos: 79


1. O país anda especialmente atento aos debates políticos. Importa saber quem ganha e quem perde, quem melhor esclarece, quais as propostas mais realistas ou inovadoras, que coligações se podem formar depois de 10 de março, quem melhor pode assegurar a estabilidade e a prosperidade do país.
É bom que os portugueses se interessem pelos debates e pela campanha. Interesse, neste caso, significa vontade de participar. E participação é sinónimo de preocupação com a democracia e com o futuro de cada um. O sentido de responsabilidade e a maturidade democrática requerem isso mesmo: participação e não alheamento, motivação e não resignação, empenho e não indiferença, suplantar o desanimo com esperança numa nova ambição.
As eleições de 10 de março são mesmo importantes. A minha convicção é que vamos ter menos abstenção e maior participação do que é habitual. As pessoas, muito legitimamente, querem dizer o que querem e o que rejeitam para o futuro; do que gostaram e não gostaram nestes últimos oito anos de governação; que PM e que tipo de governo ambicionam para os próximos quatro anos. Fazem bem.
2. Mas, se as eleições de 10 de março são importantes, as eleições verdadeiramente decisivas deste ano realizam-se em novembro, nos EUA. Imagine-se que Donald Trump volta a ser Presidente. Tudo vai ser mais difícil e mais perigoso para o mundo e para a Europa. E nós fazemos parte da Europa.
• Trump gosta de Putin e faz o seu jogo. Esta é a pior notícia para a Ucrânia e para a Europa. Com Trump no poder, Putin, um assassino sem dó nem piedade, vai sentir-se mais forte, mais seguro e mais livre para gerar ameaça sobre a Europa e insegurança sobre o continente europeu.
• Trump não gosta da União Europeia. Já o demonstrou da primeira vez que foi Presidente. Se for eleito segunda vez, tudo será ainda pior. Trump e Putin – nenhum deles gosta da UE – serão aliados objetivos. Ambos tentarão dividir para reinar, minar para enfraquecer, ameaçar para fragilizar. Nunca mais a União Europeia terá sossego.
• Trump despreza a NATO. Acha que os europeus vivem demasiado à custa do chapéu americano. Que não pagam o que devem para a sua segurança. Manda a verdade que se diga que tem alguma razão. Mas, por detrás desta razão conjuntural, há uma vontade estrutural perigosa: a vontade de enfraquecer a relação transatlântica, o desejo de deixar a Europa à sua sorte, a pretensão de deixar mais desprotegido e inseguro o mundo democrático e ocidental. Putin, uma vez mais, agradece. Os europeus ficarão novamente mais apreensivos e inseguros.
Somos portugueses. Não votamos nos EUA. Somos europeus. Não participamos na campanha norte-americana. Mas, enquanto portugueses e europeus, podemos e devemos ser exigentes. Mobilizando a nossa atenção crítica, a nossa reflexão ativa e a nossa participação cívica e de cidadania. O mundo é global e a democracia diz respeito a todos. De um lado e do outro do Atlântico.

79 Recomendações
457 visualizações
bookmark icon

Farmácias abertas

tempo