
Um dia, num passeio a Freixo de Espada à Cinta deram-me uns bichinhos da seda, para mostrar aos meus meninos da escola. Elucidaram-me como tratar deles: Procurar folhas tenrinhas de amoreira e instalá-los numa caixa.
Estes bichinhos ternurentos serviram-me de concretização, para as minhas dissertações sobre o nosso comportamento.
Que alegria sentiram ao ver estes bichinhos tão simpáticos e logo acrescentaram:
- Ó senhora professora, temos de tapar a caixa senão eles fogem!...
- Não, não, eles precisam de ar, para respirar, tal como nós!...
- Ora vamos experimentar:
-Tapem a boquinha e o nariz e vejam, quanto tempo aguentam sem respirar!...
- Eles são muito pacientes e calminhos e não vão fugir, acrescentei eu!...
- Vamos pôr estas folhinhas tenrinhas, para eles comerem que eu fui buscar a umas amoreiras que existiam em Arrifana e amanhã veremos o que acontece.
No dia seguinte, todos os meninos foram observar.
Nem um só tinha saído da caixa.
-Olhem só para esta beleza: Não lutam, não se atropelam, não roubam a uns aos outros a folhinha , tão calmos, tão pacientes, tão amorosos, tão amigos!...
Ai se nós todos fôssemos assim, era tão bom!...
Eles querem que os meus meninos se portem bem, porque o barulho assusta- os!...
Houve um silêncio nas carinhas de todos eles.
Outro momento muito importante, foi na altura deles fazerem o casulo da seda.
Com fios fininhos, iam se enrolando, até formarem um casulo, talvez com a sua baba.
Todos a trabalhar, todos a tecer, cada um no seu espaço, sem se agredirem, como acontece a tantos de nós.
Quem é que quer imitar o comportamento dos nossos bichinhos?!...
Todos em uníssono responderam:
- Eu quero!...
Mas há mais animaizinhos mínúsculos que não se vêem e que são muito bons:
Uns fazem levedar o pão, outros transformam o leite em iogurte, outros fazem ferver o vinho no lagar tornando-o doce e a seguir fica ácido. A abelha que faz o mel e a cera.
A cochonilha que fabrica a tinta do baton, com que se pintam os lábios, porque é biológica. Outros ainda decompõem as plantas em estrume, que vai alimentar outras.
Porque será que os bichos da seda se comportam assim?...Talvez por verem um espaço diferente do habitual que é nas árvores. Depois, por observarem pessoas, e porque não precisam de procurar alimento e aceitam muito bem os tratadores.
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