
No próximo dia 12 de outubro, com as eleições agendadas encerra-se o período autárquico de 2021 a 2025, marcado por grande instabilidade a nível nacional, devido à quebra de previsibilidade, ao incluir três eleições Legislativas antecipadas (em 2022, 2024 e 2025), além de uma programada eleição para o Parlamento Europeu.
Isto em contraste com os ciclos anteriores.
Recorde-se que o panorama eleitoral em Portugal, continental, entre 2017 e 2021 ficou registado por uma notável estabilidade, com o ciclo autárquico a seguir um padrão consistente de uma eleição para o Parlamento Europeu, uma Legislativa e uma Presidencial. O que não aconteceu no período anterior, 2013-2017, com as eleições autárquicas intercalares em São João da Madeira, em janeiro de 2016, a desestabilizarem a normalidade do ciclo.
Regressando à instabilidade nacional dos últimos anos, é importante recordar igualmente a turbulência provocada em São João da Madeira, pela eleição para secretário-geral do Partido Socialista, em dezembro de 2023, de Pedro Nuno Santos. A sua ascensão à liderança do partido, a nível nacional, criou uma onda de expectativa junto dos militantes locais, que viram o novo líder partidário arrancar desta cidade para Lisboa, antecipando uma liderança que pudesse resultar em maior influência para a região, na política nacional, com a nomeação de figuras locais para cargos de relevo.
Em contrapartida, os resultados eleitorais nas Legislativas da coligação PSD / CDS-PP retiraram alguns dos seus militantes da política local, para o exercício de cargos no parlamento ou mesmo em apoio a governantes.
Nada garante que os próximos quatro anos não sejam igualmente agitados.
A instabilidade permanecerá por uns tempos, com a incerteza acerca da aprovação dos orçamentos de Estado, além do espectro de eleições antecipadas a partir do próximo ano para o parlamento. Sendo certo que esta não é a principal preocupação do próximo ato eleitoral, ou melhor, não é de todo uma preocupação, fica apenas o enquadramento para se perceber o contexto conturbado em que se atinge o ato eleitoral autárquico e como a agitação nacional poderá alterar a disponibilidade dos eleitos locais, conforme se comprovou no último ciclo eleitoral.
Para as eleições do dia 12 de outubro haverá seis forças políticas a concorrer para a Câmara Municipal. Número semelhante ao do ano de 2021. Com uma cisão entre os partidos da coligação A melhor Cidade do País, subtraindo-se a Iniciativa Liberal e por seu lado, com o partido Chega a absorver alguns dos anteriores candidatos do partido Nós Cidadãos. À esquerda, PS, CDU e BE mantêm as suas candidaturas, notando-se a ausência de partidos como Livre e PAN, que nas eleições legislativas do último mês de maio, alcançaram alguns votos no concelho.
As próximas semanas serão de campanha eleitoral, esperando-se que decorram de forma positiva para o esclarecimento do eleitor, para no dia 12 de outubro, exercer o seu voto de forma consciente.
Na contagem de votos saber-se-á o resultado da ponderação dos eleitores: a opção por um cenário de agitação autárquica, elegendo um executivo com uma composição instável, ou se pelo contrário, continuam a preferir a estabilidade, consagrando a bipolarização, como tem sido o resultado desde o ano 2016.
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