Opinião

Alvorada - Águas frias

• Favoritos: 120


Entrei na Ericeira no final de tarde de uma sexta-feira de meados de junho. O verão ainda não começara e a temperatura era agradável. O sábado seria passado na praia, Ribeira de Ilhas, sem qualquer vento e com ondulação pequena, o que para um leigo em surf como eu, era indiferente. A minha aproximação às águas do mar é apenas para refrescar o corpo, mergulhando, por isso, na costa ocidental, atendendo à temperatura da água, caso haja pequena ondulação, é mais fácil para mim furar as ondas. Embora tenha imenso prazer em tentar saltar por cima das de maior envergadura, ou de aproveitar a força dessa massa de água para apanhar boleia, ou “carreirinha”, como se ainda tivesse quinze anos.
Após um dia de praia bem esticado, o principio da noite revelou-se igualmente quente, à beira mar, a temperatura situava-se nos 30º. As esplanadas dos restaurantes estavam concorridas, as ruas estavam cheias de pessoas a passear, o momento era prazenteiro e estava a ser bem aproveitado. No domingo, a despedida ficou marcada com a ideia de repetir a estadia para o mês de agosto.
Assim foi.
Durante uma semana, os dias revelaram-se ora com nevoeiro, ora com vento norte. A alternância era certa. As horas entre um e outro eram bem aproveitadas. A água do mar esteve sempre fria e com forte ondulação. E as noites ideias para sair com agasalho.
Sempre que voltei a esta estância balnear deparei-me com o mesmo cenário climatérico.
As vantagens deste clima é a possibilidade de explorar a região. Sem necessidade de proteger o corpo do excessivo calor, nem do sol abrasador, abrem-se imensas oportunidades para aumentar o conhecimento, visitando os pontos de interesse da zona envolvente. A divergência no foco é de salutar. Poderá haver quem prefira observar as paisagens, percorrendo-as a pé, ou de bicicleta, ou dando um passeio de moto, de carro, ou de barco. Uns preferem conhecer as zonas rurais, outros preferem as cidades. Alguns optam por aspetos etnográficos, outros por motivos históricos, outros têm interesses por causas naturais. Há quem tenha preferência por programas culturais. Outros por adquirir produtos regionais. Quase todos aproveitam esses momentos para incursões pela gastronomia local, conhecendo outros sabores, entre produtos e pratos típicos, vinhos da região e outros líquidos por ali fermentados.
A ideia de roteiro em torno da Ericeira, é fácil de apresentar. Entre Mafra, Sintra (confesso que as incursões às suas praias foram sempre acompanhadas de nevoeiro), Cascais (ao contrário do esperado, na praia do Guincho consegui não apanhar vento) e até Lisboa.
Para norte, os interesses podem ser menores, no entanto, percorrer estradas secundárias ladeadas de pomares ou com produtos hortícolas é sempre um encanto para a visão. Entrar em (ou no) Vimeiro, entender as linhas de Wellington, ir às praias onde desembarcaram as tropas inglesas, tanto a de Porto Novo, como a de Paimogo, observar nesta última as suas arribas e saber que podem existir vestígios de dinossauros na sua litografia constituem boas opções para um roteiro diferente.
Se o epicentro das férias estiver localizado no Oeste, as opções para um roteiro, alternativo aos dias de vento ou de nevoeiro, são igualmente interessantes. Aceder ao encantador Baleal é obrigatório. Dali observar as Berlengas, a praia dos supertubos de Peniche e a costa a desenvolver-se para norte permite o deslumbramento. Os pontos observados são opções de visita. Assim como, a vila de Óbidos, com as suas variadas ofertas e programas culturais diversificados, bem como livrarias, ou alfarrabistas, em locais inusitados. O ecossistema da Lagoa de Óbidos está bem explicado nos percursos pedestres desenhados nas suas margens. Existem locais muito procurados por veraneantes como a Foz do Arelho, ou pequenas praias, como a de Almagreira, ainda em estado selvagem, como se ainda estivéssemos no princípio do século XX, com particularidades geológicas e aproveitada por auto caravanistas, sobretudo estrangeiros, para uma observação sossegada do pôr de sol.
Mais a norte, outros epicentros existem, outras ofertas de produtos turísticos, de divulgação dessa e de outras regiões e das suas tradições. Em comum, a semelhança de clima e a água do mar fria.
Ainda assim, um pouco menos fria que as águas das praias do distrito de Viana do Castelo, nas quais cheguei a entrar e mergulhar com temperaturas de 14º.
Para todos os leitores, votos de boas férias, com muitos banhos.

 

120 Recomendações
590 visualizações
bookmark icon

Farmácias abertas

tempo