
O virar de página
As comemorações da emancipação concelhia são um ótimo motivo para se proceder ao voltar de página, fechando-se o processo eleitoral, referente às eleições autárquicas.
Antes de prosseguir, um pequeno apontamento, diferente do balanço dos números, dos mandatos obtidos por cada força partidária.
Uma breve referência ao lado positivo da apresentação das mais variadas propostas, provenientes dos demais concorrentes, que enriqueceram o debate, não se limitando à incidência sobre os aspetos negativos do concelho, procurando oferecer soluções e lançando temas que podem ser concretizados nos próximos quatro anos.
Uma oportunidade para introduzir novos assuntos no léxico autárquico, bastante focado no passado, em projetos autárquicos não concretizados, alguns com mais de uma década e provavelmente pouco oportunos e que despertam indiferença aos eleitores, desmotivando-os a comparecer junto às urnas de voto.
Como a campanha eleitoral provoca sempre alguma crispação, por se acentuarem clivagens, mesmo expressas na análise de resultados, nada melhor do que listar as boas propostas eleitorais e analisar a viabilidade da sua aplicação, conseguindo-se envolver as diferentes forças partidárias em projetos futuros e assim melhorar as estruturas do concelho, tornando-o ainda mais cuidado, possibilitando uma melhoria de vida aos munícipes.
O 11 de Outubro podia servir de mote para promover essa envolvência, pelo seu significado histórico, pela evocação do esbater das diferenças, sob a capa da unidade em prol do concelho e igualmente por coincidir com o final de um ciclo autárquico e inicio de outro, que embora seja sustentado numa maioria confortável, será sempre um quadriénio com alguma imprevisibilidade, atendendo à crise económica, social e energética.
O 95º aniversário da elevação concelhia, com uma forte programação cultural, demonstrou a capacidade municipal em promover as suas valências nesta área. Os espaços camarários, incluindo Museus, Biblioteca, Centro de Arte da Oliva e Casa da Criatividade, organizaram-se e ofereceram um vasto programa, dando seguimento à asserção concelhia, intemporal, com o cuidado pelas as artes.
Um refletido incentivo que permite a afirmação de várias sensibilidades artísticas e é demonstrado pelo empreendedorismo dos seus agentes.
A confirmação está no calendário de eventos desta semana.
Hoje mesmo, dia 14, na Biblioteca Municipal, Tiago Moita apresenta o seu livro “Manual da Solidão”, que é a sua primeira aventura em prosa poética.
Amanhã, dia 15, nos Paços da Cultura, Nelly Santos Leite regressa aos palcos, para um recital de piano que percorrerá vários compositores, numa panóplia de sons de várias épocas e tons de vários estilos, o que será uma oportunidade para voltar a ouvir a interpretação desta grande pianista.
Uma jornada dupla, comprovativa do entusiasmo dos artistas locais, que aproveitam o conforto dos espaços municipais (remodelados a seu tempo), para partilharem com os seus conterrâneos a sua vocação.
Seria interessante estimular os demais artistas, quer individuais, como estes agendados, quer outros coletivos, a proporcionarem a apresentação dos seus trabalhos ao público, diversificando a oferta, e com isto, demonstrar a capacidade de envolvência da cidade em matéria cultural, em termos de produção própria.
Um verdadeiro virar de página, que permitisse aos jovens sentirem-se confortáveis com o calendário cultural da cidade (que para estas idades deveria ser menos institucional e mais abrangente) e não os levasse a procurar outras paragens, para expressarem a sua arte.
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