
Foi das páginas douradas da nossa história que me entusiasmou, quando sentado nos bancos da escola, ouvi na voz embargada do professor, a narração de um dos grandes feitos dos portugueses.
Anos depois, foi também com a voz embargada pela comoção, teatralizei para os meus alunos este feito glorioso dos portugueses de antanho.
O desaparecimento do nosso rei D. Sebastião, em Alcácer-Quibir, aonde o levou o desejo de cristianizar aquelas paragens.
Sem sucessor direto, o desaparecimento do jovem rei deu origem a uma crise em Portugal, de que resultou o trono português ser ocupado pelos reis Filipes de Espanha.
De admirar são os 60 anos que levou a dominação espanhola a ser combatida.
Foram 60 anos de humilhação para Portugal, de prejuízos, de perda de benefícios que os Descobrimentos tinham trazido para a nossa pátria.
O patriotismo, que parecia ter mudado no coração dos portugueses, reascendeu-se e permitiu que Portugal voltasse aos primitivos trilhos, que tanta glória trouxe à nossa pátria.
Mais uma vez se cumpriu o adágio popular: “Alcança quem não cansa”.
A pouco e pouco, as reuniões secretas foram colhendo apoio, até que, em 1 de dezembro de 1640, em Portugal, estavam reunidas as condições para levar a efeito a disposição de “tirar um rei e pôr outro”.
Eram 40 os conjurados de que faziam parte representantes da mocidade.
Duas mulheres deixaram nas páginas douradas da nossa História, o sublime exemplo de mães, determinadas a sacrificar o amor dos filhos a favor da independência de Portugal.
Foram elas D. Mariana de Lencastre e D. Filipa de Vilhena: “Ide e voltai vitoriosos ou não volteis jamais”.
Almeida Garret, no seu livro "Filipa de Vilhena" escreve, transmitindo-nos a fala desta ilustre personagem da nossa história:
“Meus filhos! Ajoelhai. Aqui estamos no altar de Deus e da Pátria. Vítimas inocentes e puras, aceitai-as, meu Deus! E dai-nos a Vitória! Vão banhadas com algumas lágrimas, que não podem conter no coração… Perdoai-mas, Senhor. Sou mãe e estes são os meus filhos. (…) Ajoelhai, meus filhos. Vossos avós foram armados cavaleiros nos campos de batalha por braços de reis, com as espadas de grandes capitães. (…) Arma-vos vossa Mãe, filhos, e sereis tão bons cavaleiros como os que vos precederam, porque eu tenho fé, porque chamo por Deus em cujo nome vos dou estas armas, e vos digo – D. Jerónimo de Ataíde, D. Francisco Coutinho, em nome de Deus e de vossos Avós, eu vos armo cavaleiros”.
Foi, de facto, um instante enquanto se tirou um rei e se pôs outro.
De nada valeu ao português traidor Miguel de Vasconcelos esconder-se num armário.
Foi atirado à rua, onde os populares realizaram a sua vingança.
A Duquesa de Mântua, que representava o Rei espanhol, foi aconselhada a sair pela porta, a não ser que também quisesse sair pela janela.
Os sinos das nossas igrejas repicaram, em Portugal, de lés a lés, transmitindo aos portugueses a grande nova.
O Duque de Bragança, D. João, sentou-se no trono português e deu continuidade à Guerra da Restauração.
Portugal era novamente livre e independente.
Aos conjurados devemos hoje a nossa independência.
Daí, a nossa homenagem a o nosso reconhecimento.
Viva D. João IV!
Viva Portugal!
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