Educação

“Quando dão por ela, já estão a falar a língua”

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Os 35 anos da Escola Inglesa são marcados por uma história longa, familiar e consistente, com um método de aprendizagem espontâneo e lúdico que contribui para o sucesso dos «filhos» da instituição, como referiu carinhosamente a fundadora, Clara Reis. A Escola Inglesa, certificada pelo Ministério da Educação, foi das primeiras escolas do país a preparar os alunos para os exames de Young Learners da universidade de Cambridge, numa altura em que pouco ou nada se falava desta certificação externa. No ensino das línguas, a mais procurada continua a ser o Inglês.
À primeira vista, o logotipo da Escola Inglesa parece ilustrar um sino. No entanto, simboliza uma grade que havia no muro do primeiro edifício em que a instituição iniciou a sua atividade, marcada com cursos intensivos numa época em que não se falava a língua inglesa como nos últimos anos. O projeto iniciou com duas professoras de Inglês que, na altura, lecionavam nas escolas Serafim Leite e João da Silva Correia. Uma delas, Clara Reis, continua a ser a diretora da atual Escola Inglesa. “Resolvemos abrir um espaço para uma oferta de ensino de línguas com um paradigma completamente diferente do que havia na cidade – ensino de línguas com nativos. Foi a primeira escola de S. João da Madeira a fazer algo semelhante”, contou a CEO, em entrevista ao jornal ‘O Regional’. Passado algum tempo e após adquirir a quota à sua sócia, o pai de Clara Reis faleceu e a casa de família, que alberga a Escola Inglesa até aos dias de hoje, ficou vazia. “Tenho a certeza de que o meu pai, um industrial de S. João da Madeira que tinha um espírito empreendedor, gostaria que este espaço fosse ocupado pela filha e com um propósito. Dessa forma, homenageei a memória do meu pai e não deixei a casa ao abandono”, explicou Clara Reis.
Fundada em 1990, a professora de Inglês encara a evolução da instituição de “uma forma positiva”, com a consciência de que o projeto foi “uma oferta inovadora”. A septuagenária recorda-se de muitos jovens que, desde crianças, iniciaram o seu percurso na formação de língua estrangeira e que concluíram a sua formação superior nessa área. “Tornamos esse processo comum. Era um propósito pessoal fazer com que os jovens percebessem que a certificação dos seus conhecimentos era importante nos seus currículos”, considerou Clara Reis, enaltecendo o método de ensino da escola, que conta com professores da nacionalidade e com um ambiente de “imersão total”. “Ensinar a comunicar. Não se deve sobrecarregar as crianças com muitas aprendizagens; o objetivo é que venham como se estivessem no «recreio» da sua casa, ao mesmo tempo que comunicam em Inglês. Quando dão por ela, já estão a falar a língua”, garantiu.

Falar Inglês com nativos: a premissa da Escola Inglesa

A oferta formativa da instituição também inclui Francês, Espanhol, Alemão e Português para estrangeiros, mas a língua mais procurada continua a ser o Inglês. Com décadas de experiência, Clara Reis enfatizou que, hoje em dia, “não chega dominar bem a língua”. “Tem que se falar Inglês como se fala Português. É um domínio ao nível de proficiência, que se adquire com o contacto com um nativo desde sempre”, afirmou. “Os nossos professores são nativos. Se sabem Português, não o falam; apenas em Inglês”, sublinhou, com um sorriso, revelando que nunca deu aulas na sua própria instituição. “Fui professora toda a vida, mas é diferente aprender com um nativo do que aprender com um professor”, justificou, acrescentando que, independentemente da idade do aluno, é sempre possível aprender. “Quem tem de fazer um esforço para ir de encontro às dificuldades do aluno é o professor e a diretora”, assegurou.
Em média, a Escola Inglesa recebe cerca de 90 a 100 alunos por ano. São números que se traduzem em gerações de filhos e pais e, na perspetiva de Clara Reis, os alunos saem da instituição “bem preparados”. “É interessante observar que muitos alunos que por aqui passaram estão a trabalhar no estrangeiro e com bons cargos”, exemplificou. Para a professora, as motivações dos alunos variam, desde o desejo de aprender a língua no âmbito de uma futura viagem até à necessidade da mesma na vida profissional. As próprias empresas manifestam o seu interesse junto da Escola Inglesa que, por sua vez, elabora um programa personalizado de acordo com os objetivos empresariais.
Além dos professores qualificados e da nacionalidade, as turmas são em pequenos grupos no máximo de 12 alunos, constituídas mediante várias características, como a idade e o atual nível de conhecimento. “É esta diferenciação que torna o projeto, a nível económico, desafiante. Sendo eu da área, não consigo sobrepor o interesse económico à exigência da formação”, admitiu Clara Reis. “É importante aprender a língua, a cultura e a ser um bom cidadão do mundo, onde a comunicação é absolutamente essencial”, defendeu, dando como exemplo os cursos imersivos no estrangeiro. “Os alunos «desbloqueiam» e perdem o medo. Como professora, sempre levei alunos ao estrangeiro porque entendo que se aprende mais fora de portas do que dentro da sala”, observou.

Os desafios e o regresso a mais um ano letivo

Com mais de três décadas de história e com um paradigma diferente daquele dos anos noventa, o principal desafio da Escola Inglesa traduz-se na grande oferta atual. Se, anteriormente, a oferta era pouca ou nenhuma, atualmente já não o é. No entanto, a convicção de Carla Reis é firme devido à diferenciação da Escola Inglesa. “Temos um produto e resultados diferentes e foi por causa disso que a escola foi fundada”, descreveu.
Em confidência, a professora esclareceu que, no que diz respeito aos projetos futuros da instituição, não está em cima da mesa a “promessa de continuidade na família”. “Este projeto acabará comigo, a não ser que seja adquirido. Teria muito gosto em que alguém se sentisse motivado para continuar este projeto”, assegurou a septuagenária. “Afinal, trata-se de uma história longa e consistente”, concluiu, confiante.

“Duarte e Luís Lima, filhos da Escola Inglesa, partiram muito cedo”

Com carinho e nostalgia, Carla Reis recorda, em particular, dois alunos que frequentaram a instituição. “Duarte e Luís Lima, filhos da Escola Inglesa, partiram muito cedo. Foram alunos que desenvolveram as suas competências de uma forma extraordinária e que assumiram a escola como a sua casa; e nós assumimos os alunos como filhos desta casa”, declarou a fundadora. Em parceria com a Escola Inglesa, a Associação Cultural Luís Lima proporciona uma bolsa completa de ensino da língua inglesa a um aluno, entre os nove e os 13 anos, que comprove mérito escolar e que, de outra forma, não teria acesso ou capacidade para frequentar o ensino privado.

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