
Oficialmente, a Juventude Ciclista da Devesa Velha (JCDV) tornou-se associação há cerca de um ano, mas há mais de duas décadas que o grupo existe. Atualmente, a coletividade tem crescido gradualmente, contando até com uma sede na cidade de São João da Madeira para proporcionar melhores condições para os atletas. Segundo a associação, o objetivo passa por criar bases de modo a construir uma escola de formação até 2030. Em entrevista ao jornal ‘O Regional’, o presidente José Ferreira e o ciclista Levi Fernandes contam o que tem sido realizado e o que esperam implementar no futuro. “A associação resulta de uma amizade que se mantém há 26 anos e é o ciclismo que nos liga à cidade”, afirmou o presidente.
Jornal ‘O Regional’ – Desde a oficialização da associação em abril do ano passado, que atividades é que a Juventude Ciclista da Devesa Velha tem dinamizado?
Juventude Ciclista da Devesa Velha – Desde então, o ano foi pródigo em eventos. Organizamos um evento de saúde mental e de desporto em parceria com a Cruz Vermelha em abril deste ano e o objetivo passa por manter este evento anualmente. Enquanto associação, para além do trabalho com os atletas, da participação em provas e da escola de formação de ciclismo, queremos também dar um contributo para a mobilidade verde na cidade para estimular a prática de ciclismo. Temos um longo trabalho a fazer em São João da Madeira, mas, se conseguirmos dar algum contributo nesse sentido, melhor.
Temos explorado a formação profissional através de workshops que vamos dinamizando online, com psicólogos e outros formadores que trabalham a temática relacionada com o desporto e a saúde mental, dando a possibilidade de pessoas de todo o país frequentarem. Para além disso, estamos a preparar a criação de uma prova anual de ciclismo em São João da Madeira. Já temos um percurso idealizado e o objetivo é fazer um circuito na cidade. Trata-se de uma prova dura, mas é interessante. Queremos enquadrar esta prova no calendário de provas de ciclismo amador. Não temos ainda uma data específica, mas pensamos, simbolicamente, que poderia ser no fim de semana em que se realiza a festa em Honra de Nossa Senhora dos Milagres. Temos um projeto, que pressupõe quatro voltas, sendo uma prova aberta a todo o tipo de ciclistas.
Quando a JCDV comemorou 25 anos de existência, tornou o desejo da formação de uma escola de ciclismo mais real?
Tínhamos essa ideia de transportar a associação para esse nível. Foi um motivo ideal para retomarmos, ou seja, de um grupo recreativo para um grupo oficial. Os 25 anos serviram como mote para avançar com algo que já estava a ser pensado – a escola de ciclismo –, mas que ainda não tinha havido oportunidade de avançar. Sentimos que os nossos 25 anos eram um marco histórico importante e que eram um momento ideal para avançarmos. O espaço disponível na nossa sede é bom para o momento em que estamos; será pequeno no futuro. Não é impossível integrarmos lá uma futura escola de ciclismo, mas, para termos uma dimensão maior, iremos necessitar de mais espaço. Ao montar a sede, apercebemo-nos que, secalhar, daria jeito ter uma sala adicional para, por exemplo, não misturarmos os espaços; por exemplo, UM centro de treinos com um espaço de ferramentas para afinar ou reparar bicicletas. Convém que os atletas novos que entrem aprendam a mudar a câmara de um pneu ou o próprio pneu, ou seja, a manutenção básica da bicicleta. Todos sabemos fazer isso, mas os mais novos não sabem. Não queremos dar um passo maior que a perna e precisamos de justificar a necessidade de recursos. Neste momento, os recursos disponibilizados têm em conta a nossa dimensão e o momento em que está o projeto. À medida que formos crescendo e mantendo esta boa relação com as instituições, acredito que outros apoios podem surgir. Para a escola de formação que idealizamos no futuro, os recursos que temos agora não são suficientes, mas, para o momento atual, são suficientes. Quando nos juntamos há 26 anos, não tínhamos nada e conseguimos – lembro-me, quando demos a volta ao estádio da Sanjoanense, que o jornalista Augusto Lopes d’O Regional deu-nos um apoio excecional. Só temos que nos sentir gratos porque, num espaço de um ano, já conseguimos o reconhecimento da autarquia, em que nos atribuíram um espaço para nos darem condições de trabalho.
Qual é o ponto de situação da formação da equipa?
Estamos a tentar aumentar o número de patrocinadores. A associação é financiada por alguns patrocinadores por quotas que são pagas pelos sócios – estamos a caminho dos 150 sócios –, maioritariamente de São João da Madeira. No próximo ano, já vamos conseguir financiar alguns atletas, mas este ano foram os atletas a suportar a maior parte dos custos das provas. Vamos inscrever-nos no contrato de desporto [apoio da Câmara Municipal], uma vez que, no ano passado, não o podíamos fazer devido ao tempo insuficiente enquanto associação. Esperemos que, para o próximo ano, cada atleta tenha acesso a um vale para a inscrição nas provas e para o pagamento de algumas despesas associadas. O objetivo é que este apoio aumente ano após ano.
Uma vez que já têm sede própria, de que forma é que esta conquista valoriza o trabalho da associação?
A sede é importante para reforçarmos a nossa identidade e termos a nossa «casa». Foi uma batalha que fomos travando ao longo deste último ano e agradecemos à Câmara Municipal por nos ter dado esse apoio, com uma sede que conta com um espaço de atendimento e de reunião, bem como uma sala de treino adequada para os atletas. Anteriormente, os ciclistas treinavam em casa, mas nem todos contavam com os equipamentos necessários; alguns significam um investimento que nem todos podem fazer. Com os equipamentos todos à disposição na sede, os atletas podem evoluir. Agora, é organizar dias de treino, abertos a todos os atletas que queiram participar. Orgulha-nos ter uma sala de treinos para capacitarmos os atletas com parcos recursos financeiros. Este primeiro ano foi quase um ano zero para nós, permitindo-nos solidificar o projeto e perceber melhor aquela que é a nossa visão.
Para além do ciclismo e do BTT, estão a explorar outras modalidades?
Sim; o duatlo e o triatlo. O Levi chegou a experimentar o duatlo e é interessante, sendo que pode abrir outras portas. O duatlo e o triatlo são desportos que envolvem a bicicleta e, para além disso, permitem-nos formar atletas individualmente. Em termos de custos, neste momento, acaba por ser mais interessante. Neste primeiro ano, conseguimos perceber toda a mecânica das provas e alguns resultados interessantes, com o oitavo lugar por equipas em Lousã. Secalhar, no próximo ano, se ficarmos no top cinco de alguma prova, seria excelente. Além disso, acredito que não é impossível almejarmos colocar, um dia, uma equipa na Volta a Portugal. Por enquanto, pode parecer uma miragem, mas não quer dizer que, no futuro, não venha a ser possível.
No próximo ano, o Levi Fernandes vai fazer formação como treinador de ciclismo e de triatlo. O que é que esta formação significa?
Já contactamos as federações e estamos à espera de datas de abertura. Será o Levi o responsável pelo treino da equipa, já que foi sempre uma paixão sua, dada a sua ligação ao ciclismo, à corrida e ao trail. Embora já orientasse os treinos, ter esta certificação dá credibilidade à associação e é mais um passo em frente. A formação envolve estágios, que será realizada com a associação também. Vai permitir adquirir um know how técnico que, secalhar, ainda não temos, permitindo-nos melhorar substancialmente.
Desde a nova sede e apoio aos atletas até à criação de novos eventos, esta evolução impacta o futuro da associação?
Com várias áreas de conhecimento presentes na associação, conseguimos ir um bocadinho mais além, ligados pelo ciclismo na cidade. Cada vez mais, queremos ter outras pessoas, para além da Devesa Velha, que façam parte da nossa equipa; fazer com que a JCDV cresça para além da cidade, elevando-a além da dimensão regional e trazendo cada vez mais pessoas à associação, que não é restrita a São João da Madeira, mas valorizando sempre a cidade, dada a identidade bairrista de quem faz parte da Devesa Velha.
Até ao final deste ano, o que pretendem alcançar?
Diria que, até ao final do ano, estamos em fase de preparação para a nova época. Todos os objetivos deste ano foram alcançados, como colocar um atleta nos 100 primeiros numa das provas.
Em termos de objetivos a curto prazo, já têm objetivos para 2026?
Neste momento, temos 12 atletas federados com idades entre os 16 e os 57 anos, que permitem que tenhamos uma equipa de sub-16 e uma equipa de veteranos. Em termos de metas desportivas, vamos participar no próximo ano, em Coimbra, na prova de qualificação para o campeonato do mundo Granfondo, uma prova que tem um contrarrelógio e uma prova individual. Vamos fazer os possíveis para tentar classificar algum atleta. Outro objetivo passa por colocar alguns atletas nos 50 primeiros nas diferentes provas em que vamos participar. Queremos alargar essas equipas no futuro e gostávamos de atrair mulheres para o ciclismo. Sabemos que são cada vez mais mulheres a pedalar; vemos isso nas competições em que participamos e seria interessante criarmos uma equipa feminina. Por isso, o que pretendemos é, além das equipas de competição, termos sempre uma modalidade de ciclismo para todos, permitindo a qualquer pessoa participar na nossa equipa.
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