
A Associação Mais Orreiro, localizada no bairro do Orreiro, em Fundo de Vila, continua a demonstrar-se como espaço de encontro e comunidade entre gerações. Depois de ter criado o ginásio social e consolidado a prática da capoeira, a associação introduziu, desde setembro deste ano, uma nova modalidade: a percussão de rua, que tem vindo a reunir pessoas de diferentes idades em torno da música e do ritmo.
Segundo Sofia Rodrigues, membro da associação desde 2018, a ideia surgiu “com o início do ano letivo, quando decidimos trazer para cá uma percussão diferenciada, em que se trabalha com os sons do corpo, desde a voz, às palmas, aos batimentos dos pés no chão, às mãos a bater no corpo, e até com utensílios do dia-a-dia, como vassouras e baldes”. Atualmente, o grupo já conta com cerca de 25 participantes que preparam uma peça musical a apresentar no próximo dia 14 de novembro, na Sala dos Fornos da Oliva Creative Factory.
O evento, organizado pela Associação Mais Orreiro em parceria com a Associação Capoeirarte, pretende dar a conhecer as modalidades à cidade. Sofia Rodrigues adianta que “será um momento de percussão também relacionado com a capoeira” e garantiu que “a peça foi escolhida especialmente para essa noite”.
A capoeira continua, aliás, a ser uma das grandes forças da associação. Com “mais crianças, mais adultos e também pessoas com algum grau de deficiência plenamente inseridas”, esta modalidade afirma-se como um exemplo de inclusão e diversidade. Para Sofia Rodrigues, a capoeira é “uma modalidade de todos para todos, onde conseguimos trabalhar com toda a gente, todas as faixas etárias, com todos os corpos e todas as pessoas”.
Além de atividade física, a capoeira é também expressão cultural. Como sublinha umas das dirigentes, “é uma arte marcial disfarçada em dança, mas é também uma forma de contar a história e de transmitir a sua cultura”. A associação tem procurado, a cada apresentação, escolher temas que representem essa dimensão artística e coletiva.
O ginásio social da Associação Mais Orreiro mantém-se igualmente como um espaço complementar às restantes atividades. “Quem frequenta o ginásio, na sua maioria, também frequenta a capoeira ou o pilates clínico”, explicou Sofia Rodrigues, acrescentando que “há também pessoas que apenas utilizam o ginásio, como é o caso da turma da manhã, composta maioritariamente por senhoras que treinam de segunda a sexta-feira”.
A introdução da percussão de rua resultou de uma feliz coincidência. Sofia Rodrigues recordou que já conhecia o professor Pedro Mergulhão, responsável pela nova modalidade, “há mais de vinte anos”, e que o reencontro aconteceu no momento certo. “Ele estava a lecionar percussão na Escola de Fundo Vila e, quando o projeto terminou, procurava um novo espaço. Nós, por outro lado, queríamos algo que completasse a capoeira com uma vertente mais musical. Falámos com ele, e aceitou logo, vindo como voluntário”, conta. Com a música, a dança e o convívio como fio condutor, a Associação Mais Orreiro tem vindo a transformar o bairro num espaço de criatividade e pertença.
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