Cultura e Lazer

Tiago Moita e Sara Dias Oliveira partilharam os bastidores das suas obras

• Favoritos: 131


No dia 5 de julho, a Feira do Livro de S. João da Madeira promoveu o encontro entre leitores e escritores, reforçando o papel da literatura como espaço de diálogo e partilha. Entre os autores convidados estiveram Tiago Moita, natural da cidade, e Sara Dias Oliveira, jornalista e escritora, que assinalaram a importância da iniciativa e deram a conhecer os seus mais recentes projetos.

Para Tiago Moita, regressar à terra natal com os seus livros foi motivo de entusiasmo. “É sempre um orgulho voltar às raízes. Acho que faz falta uma feira do livro com esta dimensão aqui. É um ponto de encontro entre autores e leitores, e uma forma de promover a leitura”, afirmou. O autor, que soma quase duas décadas de publicações, considera que o evento poderá crescer nos próximos anos. “Em Lisboa ou no Porto, há zonas específicas para autógrafos e apoio logístico aos autores. Aqui nota-se o esforço, mas falta ainda uma estrutura mais organizada e um espaço mais resguardado para estas sessões”, confessou.
A sua obra “Ensaio sobre o Fim do Mundo”, um romance distópico, parte de “uma pergunta inquietante”: como reagiria a sociedade se ficasse, de um momento para o outro, sem eletricidade? “A ideia surgiu após ler Ensaio sobre a Cegueira, de Saramago. E se, em vez da cegueira, fosse a tecnologia a desaparecer?”, explicou.
A versatilidade literária tem sido uma marca do seu percurso, que inclui poesia, ensaio e ficção. “Não me limito a um género. Escrevo sobre o que me inquieta, e isso exige disciplina, investigação e constância”, acrescentou.
Sara Dias Oliveira, por sua vez, escreveu e apresentou a biografia de João da Silva Correia, uma figura relevante da história sanjoanense. “Foi escritor, democrata, professor, e nunca se calou perante a injustiça. Chegou a escrever cartas a Hitler, a Stalin e a Churchill, e teve textos lidos na BBC. Mas continua a ser pouco conhecido pelas novas gerações”, lamentou a escritora.
A ideia do livro surgiu após um encontro com a sobrinha do autor, que partilhou com a jornalista, documentos, cartas e relatos de família. “Fiquei fascinada. Percebi que havia ali uma história que precisava de ser contada, com rigor, mas também com sensibilidade.”
Sobre a Feira do Livro, a autora destacou o ambiente informal e o contacto próximo com os leitores. “É bom ver pessoas de todas as idades a passar por aqui, a folhear livros, a conversar com os autores. A literatura precisa destes encontros.”
A Feira do Livro de S. João da Madeira decorreu até dia 6 de julho, com sessões de autógrafos, apresentações e performances artísticas. Para os autores, mais do que divulgar os seus livros, trata-se de alimentar o vínculo entre a cidade e os que nela, ou sobre ela, escrevem.
De acordo com o município, a edição deste ano terminou com “um balanço bastante positivo”. O evento registou um crescimento significativo nas vendas, com um total de 1.314 livros vendidos, um aumento considerável face aos 966 exemplares vendidos na edição de 2024.

Balanço positivo

Jorge Vultos Sequeira, presidente da autarquia, considera que a feira “constituiu mais uma ação de promoção do livro e da leitura, no quadro de uma política consistente que tem vindo a ser desenvolvida na nossa cidade”. O autarca sublinha que esta aposta vai além da feira e inclui diversas iniciativas regulares que promovem hábitos de leitura junto da população.
O programa deste ano incluiu atividades para diferentes faixas etárias e contou com a participação de cerca de 40 oradores, animadores e palestrantes.

131 Recomendações
1634 visualizações
bookmark icon

Farmácias abertas

tempo