Cultura e Lazer

“Sem Terra à Vista” inaugura sábado no CAO e convida à reflexão sobre as incertezas do mundo contemporâneo

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A exposição “Sem Terra à Vista” inaugura no próximo sábado, dia 18 de abril, pelas 16h00, no Centro de Arte Oliva

Com curadoria de Paula Cabaleiro, a mostra inspira-se no universo poético de Charles Simic, em particular “na ideia de um horizonte ausente e na sensação de deriva contemporânea” evocada no seu livro No Land in Sight (2022). A curadora explica que o projeto nasce de um convite do colecionador José Lima, com quem entrou em contacto num encontro em Braga, sublinhando que a exposição surge de uma inquietação pessoal perante o momento atual, marcado por “guerras contemporâneas, um genocídio, uma polarização política extrema, discursos de ódio contra migrantes e uma desumanização das pessoas que percorrem muitos quilómetros para procurar uma vida melhor”.
A partir desta base, a exposição organiza-se como um percurso atravessado por múltiplas tensões do presente. Segundo a curadora, trata-se de uma coleção “muito diversa em suportes, em disciplinas, em processos artísticos”, mas também geograficamente ampla, integrando artistas de vários continentes. Essa diversidade permite, como referiu, “colocar-nos na pele da outra parte do mundo que está a viver uma situação muito mais distinta”, abrindo espaço para um olhar mais consciente sobre as desigualdades e assimetrias globais.
O projeto expositivo estrutura-se em vários núcleos temáticos que abordam questões como a incerteza, a desinformação, o consumismo, as alterações climáticas, a guerra, a migração, o feminismo, as violências sociais e políticas e a vulnerabilização dos direitos humanos. A intenção, segundo a curadora, é transformar o museu “num lugar de encontro e reflexão sem evitar o conflito”, criando um espaço onde diferentes leituras e perspetivas possam coexistir.
Neste sentido, a exposição procura estimular uma tomada de consciência individual e coletiva, abordando temas que, como refere Paula Cabaleiro, “podem interpelar-nos a todas e a todos”. Entre esses temas destaca-se também a manipulação da informação e a dependência tecnológica contemporânea, já que “ninguém de nós pensa que está a ser manipulado através do telemóvel, mas na verdade todos estamos a ser manipulados”.
A exposição reflete ainda a natureza singular da coleção Norlinda & José Lima, marcada pela sua dimensão e diversidade, mas também pela continuidade no acompanhamento dos artistas. Nesse contexto, a curadora destaca a existência de “núcleos autorais”, evidenciando o apoio prolongado a criadores emergentes e consagrados. O colecionador reforça ainda a dimensão ética desta prática ao afirmar que “as obras nunca são dele mas são, sim, parte do património de todas e de todos”, defendendo o acesso público ao acervo.
A inauguração contará com uma performance de música e dança contemporânea de Javier Otero Neira e Nuria Sotelo, que dialogará com os temas da exposição. Está igualmente previsto um programa paralelo com conversas entre artistas e um ciclo de performances ao longo dos próximos meses.
“Sem Terra à Vista” propõe “um percurso exigente e contemporâneo sobre o estado do mundo”, onde a arte surge como espaço de reflexão e resistência. Mesmo perante a incerteza, a exposição sugere a possibilidade de procurar novos horizontes ou, como indica o próprio título, continuar à procura de alguma “terra à vista”.

 

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