
Lenda! O espelho refletor, símbolo, mito, que fascina;
Pois estamos tão distantes, a avistá-la muito além;
É fantasia, é mentira, é conto que nos domina,
Na sua mística de êxtase, que nossa mente retém.
Criam-se lendas, as mais belas, passeámo-las pelas idades,
Ao calor de uma lareira tornámo-las reais p´ra bem
Da nossa imaginação, sentindo-as como verdades,
Pela boca dos decanos, contadas como ninguém…
Aquelas lendas de mouras, encantadas, que encantavam,
E até horrorizavam, enquanto infantes vividos,
Entre os avós dos avós, luzes que bruxuleavam
Em figuras donairosas de cavaleiros temidos…
As “misarelas”, as fontes, os rios cheios de ais,
Ais surgidos, quando incautos, em locais de pouco acesso,
Passeávamos descuidados em veredas casuais,
Fugindo desses lugares, na certeza de um regresso.
Ficaram de tempos idos da Reconquista Cristã,
Testemunhos apagados pela vileza fanática,
De responsáveis pela fé, na demolição tão vã,
Soterrando a realidade numa abjeção dramática!
Flores Santos Leite
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