
O ciclo de concertos AcáMúsica trouxe ao palco do Auditório Marília Rocha, no passado dia 7 de Maio, o duo Arsis, composto pelos consagrados guitarristas João Robim e Nuno Jesus.
Juntos desde 2016, o duo apresentou um repertório estilisticamente rico e variado, onde ficou clara uma formação madura, em que cada elemento conhece o momento indicado para responder sonoramente a uma solicitação do outro. Foi assim desde logo com o Estudo nº1 do pianista/compositor arménio Tigran Hamasyan, tendo a transcrição para as duas guitarras feito fluir sobre o pequeno ostinato de oito notas todas as camadas sonoras propostas, onde se funde a sonoridade do jazz com o contraponto clássico modal. Esta abordagem sentiu-se quando passaram para o registo do prelúdio e fuga, quer na transcrição do prelúdio em dóm do primeiro livro do Cravo Bem Temperado de Johann Sebastian Bach, assim como nos Prelúdio e Fuga das Guitarras Bem Temperadas de Castelnuovo-Tedesco, escritas pelo compositor de origem italiana para duo de guitarras. Contudo, a abordagem sonora mudou de registo com a execução da Reverie de Claude Debussy e das Cenas Infantis de Robert Schumann, tendo as “Brahms Guitar” usadas pelo duo transportado as obras para uma dimensão muito mais próxima dos seus títulos, que a versão original para piano. Os comentários de José Luís Postiga, investigador do Inet-md, pontou a execução das obras, tendo instigado os intérpretes a mostrarem as suas visões sobre as questões levantadas em torno da estrutura musical e contexto das peças. No seu todo o concerto, com a duração de cerca de sesesenta minutos, tornou-se num registo leve e muito fluido deixando em “arsis” (termo relativo a elevação prosódica do discurso musical) toda a plateia.
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