
Resultante da parceria nascida entre a Câmara Municipal e a Academia de Música de São João da Madeira, em 2007, este ciclo de concertos dedicados à divulgação da arte musical de jovens artistas provenientes das Terras de Santa Maria e da Área Metropolitana do Porto, teve a sua terceira atuação deste ano no passado dia 24 de Junho, pelas 21h30, como sempre nos Paços da Cultura, que alberga todo o ciclo. Desta feita subiram a palco Catarina Martins, ao clarinete, e João Fernandes, ao Piano.
Catarina, natural e residente em São João da Madeira, mostrou que o instrumento é já uma perfeita extensão do seu corpo, fruto do já longo contacto com o mesmo, visto ter começado a soprar para o clarinete com tenros sete anos de idade, mantendo o seu desenvolvimento pedagógico na Academia de Música de São João da Madeira, onde está a concluir os estudos de nível secundário em música. Por seu turno, João Fernandes, oriundo do Porto, também iniciou o contacto com o piano aos sete anos, tendo já concluído a licenciatura e Mestrado em Ensino da Música na Escola Superior de Artes de Espetáculo, exercendo agora funções de pianista acompanhador na Academia de Música de São João da Madeira
Num misto de diálogo, desafio, união, disrupção, harmonia, foram várias as abordagens que o repertório executado propôs à plateia. Começando com um tema para clarinete de grande melodismo e clareza sonora, composto pelo clarinetista e maestro italiano Michele Mangani, os intérpretes entregaram-se com grande fidelidade e competência sonora, técnica e interpretativa a um repertório de difícil execução, que passou pelo alemão Weber e pelo inglês Malcolm Arnold, terminando com as fantasias de Niels Gade.
No dia de São João, em São João da Madeira, o alho porro ficou do lado de fora do espaço, tendo as marteladas sido harmónicas e pianísticas e os apitos melódicos e clarinetísticos. Catarina e João mostraram que a folia popular pode ser preenchida com beleza e organização. As conversas, apenas feitas de sons, ficaram a cabo de ambos, o petisco por eles servido foram doces sons, que encheram a alma daqueles que escolheram o conforto da música universal. O bis, com a repetição do Tema para Clarinete de Mangani, fechou da forma mais bela o concerto.
Mais uma demonstração de forte envolvimento entre a juventude e o desenvolvimento cultural do país.
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