“A cantiga ainda é uma arma”: Índios da Meia Praia celebraram Abril com público em uníssono

A Casa da Criatividade recebeu no dia 25 de abril, o concerto dos Índios da Meia Praia, integrado nas comemorações da Revolução dos Cravos. Num formato simples, entre a voz e a viola clássica, o duo construiu um espetáculo intimista, mas profundamente envolvente, onde a palavra e a memória coletiva se cruzaram com a participação ativa do público.
Assumindo-se como um tributo à obra de José Afonso, figura incontornável da música portuguesa e da canção de intervenção, o concerto percorreu também repertórios de outros nomes ligados à resistência cultural e política, como Adriano Correia de Oliveira, José Mário Branco, Fausto Bordalo Dias, Sérgio Godinho e Ary dos Santos. Num espetáculo que foi uma evocação da liberdade e do papel da música enquanto instrumento de intervenção, numa lógica que o próprio grupo sintetiza na ideia de que “a cantiga ainda é uma arma”.
Sem recorrer a grandes discursos formais, o momento mais reiterado pelo vocalista surgiu na repetição quase ritual da expressão “25 de Abril sempre, fascismo nunca mais”, frase que pontuou o concerto. Essa intervenção breve, mas incisiva, serviu de fio condutor para um espetáculo onde a mensagem foi sendo construída sobretudo através da música e da interação direta com os espectadores.
Ao longo da atuação, o vocalista abandonou por diversas vezes a posição estática em palco para se aproximar da plateia, circulando entre as pessoas e incentivando a participação. O público foi convidado a bater palmas, marcar o ritmo com os pés, transformando o corpo num instrumento de percussão, e a cantar em conjunto.
Essa dinâmica participativa deu ao espetáculo uma energia crescente, onde cada canção se tornava um momento coletivo. A adesão foi espontânea e progressiva, com o público a responder aos estímulos e a integrar-se naturalmente na performance.
Num registo despojado, mas carregado de significado, os Índios da Meia Praia conseguiram transformar um concerto de tributo num espaço de encontro intergeracional, onde a herança musical de Abril foi recordada e vivida.
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