
Alberto Pacheco é um homem discreto, reservado e gosta de estar longe dos holofotes. No entanto, não esconde o orgulho no que construiu e na sua família. Encontrou em S. João da Madeira a terra onde gosta de viver e trabalhar.
Jornal O Regional – O seu nome faz parte da história de S. João da Madeira, desde 1961. Casou com uma sanjoanense, quando a atual cidade era ainda uma Vila. Que S. João da Madeira era essa e de que forma acompanhou a sua evolução?
Alberto Pacheco - Conheci vagamente S. João da Madeira em 1948, se a memória não me falha., ano em que vim estudar no antigo Colégio Castilho, então dirigido pelo Dr. Vasconcelos. Nessa altura, ainda que muito diferente de hoje, era já uma vila bastante evoluída. Foi neste colégio, onde apenas permaneci durante um ano letivo, que conheci aquela, a quem mais tarde, por volta de 1950, pediria namoro, vindo a casar em fevereiro de 1961.
Mas, nessa altura, quem era Alberto Manuel de Aguiar Pacheco?
Acabei, em 1958, o curso de Contabilidade e Gestão, no antigo Instituto Comercial do Porto, e trabalhava numa empresa têxtil. Todavia, e apesar de ter vindo viver para S. João da Madeira, continuei lá, prossegui a trabalhar até meados de 1962, altura em que aceitei vir trabalhar para a firma Alberto Rodrigues Bolhosa gerida pelos filhos Sílvio Rodrigues Bulhosa e seus irmãos Joaquim a e Marlene Bulhosa. Era um vale-cambrense que continuava a sua vida como sanjoanense, embora tivesse sempre na minha mente o amor e a relação que sempre tive com meus pais e meus irmãos.
Como, e em que altura, a política entra na sua vida?
Nunca tive qualquer intenção de entrar na vida política. O que aconteceu foi puramente fortuito. Na vida política, pós 25 de abril, apenas aceitei, a pedido do Sr. Manuel de Almeida Cambra, candidatar-me à Assembleia Municipal, tendo cumprido essa missão, apenas, e enquanto se manteve como presidente, não tendo aceite ser candidato nas eleições que elegeram novo presidente, apesar de ter sido convidado.
Foi vereador da Câmara Municipal antes do 25 de abril, numa altura em que era presidente o Engenheiro Daniel Ferreira Pinto. Que memórias guarda desse tempo?
Isso passou-se já la vão mais de 50 anos. Lembro-me vagamente de serem tratados assuntos relativos à ação camarária, mas não me lembro quais, nem por quanto tempo me mantive no cargo… apenas que eram reuniões muito pacíficas.
Qual era o grande papel das autarquias antes do 25 de abril?
Estou convencido de que o papel das autarquias era certamente zelar pelos interesses dos concelhos, embora de diferente maneira, já que vivíamos numa ditadura, e os presidentes eram nomeados pelo governador civil, não sendo sujeitos a sufrágio popular. Os munícipes limitavam-se a aceitar as decisões tomadas pela autarquia.
Benjamim Valente foi eleito pela democracia, através de uma comissão administrativa, e, mais tarde, presidente da Câmara Municipal. Como acompanhou o seu trabalho e de todos os autarcas que lhe seguiram?
A minha vida não me permitia pensar muito sobre a administração do município, à época do presidente Benjamin Valente. No entanto, a impressão que tenho é de que foi um bom presidente. Acompanhei mais o trabalho dos presidentes que lhe sucederam como o José da Silva Pinho, que deixou marca na evolução da nossa terra, o Manuel Cambra, o Dr. Castro Almeida, ou mesmo o Eng.º Ricardo Figueiredo. Todos eles serviram exemplarmente a agora cidade de S. João da Madeira. O atual presidente Dr. Jorge Sequeira tem vindo servir com zelo e considero-o também um bom presidente.
Entre outros cargos, foi ainda membro da Assembleia de Freguesia, e vice-presidente dos Bombeiros Voluntários. Um valecambrense que rapidamente se tornou um filho da terra. Na verdade, o que mais o apaixonou por cá?
Já lá vão muitos anos, e a minha memória já tem muitas falhas. Sei que fui membro da junta de freguesia, não sei bem se como secretário se como vice-presidente. Todavia não foi com certeza por que tenha feito algo para o ser. Fui vice-presidente dos Bombeiros Voluntário durante nove anos, com a presidência de Sílvio Bulhosa. A obra mais importante feita neste período foi o alargamento das instalações, duplicando o salão nobre, alargando o espaço administrativo e criando espaço de estacionamento no rés-do chão. As reuniões da administração dos Bombeiros Voluntários eram feitas na torre do quartel, numa salinha muito pequena e sem aquecimento. No inverno, as reuniões eram sempre mais curtas, devido ao frio. A ampliação das instalações veio resolver o problema. Pela forma como fui recebido em S. João da Madeira, não podia deixar de me sentir um sanjoanense de corpo e alma, sentindo-me obrigado a colaborar em tudo o que me fosse solicitado.
Artigo disponível, em versão integral, na edição nº 3896 de O Regional,
publicada em 16 de junho de 2022
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