Trupe de Reis na Casa da Criatividade ganha contornos de tradição

Trupe de Reis na Casa da Criatividade ganha contornos de tradição

Cantar os Reis ou as Janeiras, em S. João da Madeira, começa a ganhar contornos de tradição. Em domingo de Reis mais uma vez as Trupes de Reis subiram ao palco da Casa da Criatividade, nesta que é já a quarta edição do evento organizado pela Tuna d’ Os Voluntários de S. João da Madeira, que contou com o apoio da Junta de Freguesia e a colaboração da Câmara Municipal.
O sonho de criar um espetáculo onde se canta os Reis, ou as Janeiras, na cidade, surgiu há quatro anos atrás, pela mão da direção da Tuna d’ Os Voluntários de S. João da Madeira, que tinha como objetivo a recuperação de uma tradição secular. Em janeiro de 2016 esse sonho tornou-se realidade, fruto do empenho e da dedicação de pessoas que amam a sua cultura e as suas tradições, e desta forma colocou em palco a primeira edição do Encontro de Trupe de Reis. Aquilo que parecia ser difícil de realizar tornou-se uma realidade, e hoje já começa a ganhar contornos de tradição, “que queremos que se prolongue por muitos e bons anos”, afirmam os dirigentes da instituição. Este é já o quarto encontro de Trupes de Reis, que este ano apresentou algumas novidades, quebrando assim um pouco o alinhamento que as três edições anteriores apresentaram. A organização optou por fazer convites com uma maior abrangência nacional, mostrando também essas tradições de outros pontos do país.
E para além do ato de cantar os Reis ou as Janeiras, a edição deste ano teve também a perspetiva criativa, fruto do convite lançado a um grupo que é já uma marca e referência nacional e além-fronteiras. O Grupo de Etnografia e Folclore da Academia de Coimbra (GEFAC), abriu o espetáculo, mostrando um pouco do seu trabalho de recolha, tratamento e divulgação do património imaterial português. Através da concepção de espetáculos originais, utilizam as manifestações populares numa perspetiva criativa, principalmente nos ajustamentos cénicos, viajando um pouco pelas tradições do país.
A viagem passou depois pela região do baixo Minho, com a atuação da recente criada Trupe do Grupo “Cantares” da Casa do Povo de Nine, freguesia de Famalicão. Fruto de um intercâmbio com a Tuna d’ Os Voluntários, este grupo mostrou um pouco das tradições de uma região tão rica em sabedoria popular.

Uma tradição secular preservada no tempo

Desde a primeira hora, em que a Trupe de Reis se tem vindo a organizar, a Tuna da Universidade Sénior do Rotary Clube de S. João da Madeira tem marcado presença.
Uma participação que mais uma vez dignificou um grupo que tem desenvolvido um excelente trabalho na área cultural, junto da população sénior.
Mas quando falamos de Trupes de Reis, salta-nos logo à memória as bases históricas e etnográficas da Epifania, que já vem desde há longos séculos. A Epifania do Senhor celebra-se a 6 de janeiro. Comemorado tradicionalmente doze dias após o Natal, no Dia de Reis, a Epifania do Senhor, com a reforma do calendário litúrgico, em muitos países a data celebra-se no domingo entre o dia 2 e o dia 8 de janeiro (dois domingos após o Natal).
A Epifania do Senhor é a manifestação do Filho de Deus no corpo de Jesus Cristo, o momento de revelação de Jesus ao mundo. Esta celebração centra-se na adoração dos três Reis Magos ao Menino Jesus, um símbolo do reconhecimento de Cristo como salvador da humanidade. Em Portugal, principalmente nas Beiras e no Minho cantam-se as Janeiras, mas em Ovar essa tradição ganhou um novo cunho, muito próprio, datado de 1893, tornando-a uma tradição secular.
E para representar um pouco dessa tradição, esteve em palco a Troupe Casa do Povo de Válega, que desde 1997 tem vindo a promover a continuidade desta tradição, com um grupo em que para lá dos instrumentos musicais que os acompanha, é no desempenho vocal que assumem grande importância, com interpretações de coro e de solistas. À Casa da Criatividade trouxeram a tradicional atuação, composta por três momentos essenciais, onde foi apresentada uma canção diferente. A primeira foi a “Saudação”, onde foi louvada a Noite Santa dos Reis e saudados os presentes, a segunda foi a “Mensagem”, onde se celebrou o nascimento de Jesus e os seus ensinamentos e, por fim, o “Agradecimento”, onde, num tom muito mais ligeiro e brejeiro, o grupo se despediu, pedindo as habituais ofertas e agradeceu a hospitalidade.

Espetáculo de Trupe de Reis marca início das comemorações dos 40 anos de vida da Tuna

Coube à Tuna d’ Os Voluntários de S. João da Madeira encerrar a quarta edição da Trupe de Reis. Segundo a direção, esta foi a primeira iniciativa integrada nas comemorações dos 40 anos de vida da instituição. Atualmente composta pela orquestra e por um coro, que lhe confere uma maior dimensão artística, dirigido por Marcelo Alves, que assumiu recentemente o posto, a Tuna cantou os Reis e aproveitou para homenagear o primeiro maestro, por sinal aquele que mais tempo esteve à frente da direção artística. “João Barbosa, é um nome que estará para sempre ligado à Tuna. Este senhor deixou-nos muitos arranjos artísticos, que agora estamos a recuperar e a preparar para os poder apresentar em público muito brevemente”, salientou a Presidente da direção, Minda Araújo. A dirigente aproveitou ainda para agradecer a presença dos grupos convidados, que participaram “a custo zero”, bem como o apoio que mais uma vez a Junta de Freguesia deu ao evento, bem como a colaboração da Câmara Municipal, que “nos motiva para dar continuidade a este evento”, concluiu.
Entretanto está já agendado o segundo momento integrado nas comemorações dos 40 anos da Tuna d’ Os Voluntários. A 8 de fevereiro, na Casa da Criatividade, pelas 21h30, concerto de Luísa Amaro, com a Tuna. A primeira mulher guitarrista profissional de guitarra portuguesa, vem assim a S. João da Madeira apresentar o seu mais recente trabalho “Mar Magalhães”, onde cada música, cada elemento, se dirige a alguém que se reconhece neste ambiente e nesta paleta de cores e sons tão diversos. Tendo começado a tocar em 1984, ao lado do Mestre Carlos Paredes, em centenas de concertos por todo o mundo, surge agora a oportunidade, no âmbito das comemorações dos 40 anos da Tuna, de poder mostrar o seu trabalho.
Da parte da direção da Tuna d’ Os Voluntários ficou já a promessa que novos espetáculos serão agendados, de forma a registar e comemorar o 19 de julho, essa data tão simbólica para a instituição.

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