Sociedade

Utentes com alta continuam a ser abandonados pela família no Hospital

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Dão entrada na urgência do hospital por diversos motivos e acabam por ali ficar tempos sem fim, porque ninguém os reclama. São na maioria idosos, que se sentem envergonhados e cultivam o silêncio em redor deste assunto.

“Temos cada vez mais casos de famílias que não levam os doentes para casa. A sociedade está cada vez mais egoísta”, diz Anabela Canhola, diretora de Urgência do Centro Hospitalar de Entre Douro e Vouga (CHEDV), que agrega ainda as unidades hospitalares de S. João da Madeira e de Oliveira de Azeméis.
Durante o processo de pandemia, o número de doentes abandonados parece ter reduzido. “Antes disso, a situação estava a ser incontrolável. Todos os dias tínhamos casos sociais na urgência de pessoas que eram deixadas para que fosse o hospital a tratar de os colocar em unidades de Cuidados Continuados”, refere a diretora de serviço.
Com o acalmar da situação pandémica, ‘O Regional’ sabe que os casos estão de regresso às urgências do CHEDV, e que são sinalizados à Segurança Social e, em muitos casos, ao Ministério Público.
Anabela Canhola não especificou qual das urgências que tutela apresenta mais casos de abandono. “É em todas urgências. É assim também em todo o país, infelizmente”, descreve.
Na sua maioria, são pessoas idosas que dão entrada na urgência com problemas associados à idade ou situações crónicas, e que, após alta clínica, ninguém os vem reclamar. Uns chegam acompanhados por familiares – que depois nunca mais os vêm ver e muito menos buscar, quando o utente “tem alta”. “Estas pessoas fizeram muitos sacrifícios pelos filhos, mas nem todos o fazem pelos pais quando eles agora necessitam”, assume revoltada.

Ar­tigo dis­po­nível, em versão in­te­gral, na edição nº 3846 de O Re­gi­onal, pu­bli­cada em 3 de junho de 2021.

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