Sociedade

“Todas as democracias têm falhas e a portuguesa também”

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O sociólogo, investigador em Ciência Política e professor na Universidade de Aveiro, Carlos Jalali, esteve este fim de semana em S. João da Madeira

Jornal O Regional - É a segunda vez que vem a S. João da Madeira falar dos novos desafios da sociedade, da democracia e de como deve ser pensado o futuro... Que desafios são esses, estão mais fáceis ou mais difíceis de concretizar e porquê?
Carlos Jalali - As democracias contemporâneas enfrentam desafios em múltiplas frentes. Podemos falar atualmente de desafios tecnológicos, mas também políticos, económicos e demográficos, só para referir alguns. O cenário atual é mais pessimista. Mas a democracia tem uma característica importante, que é a sua capacidade para se adaptar a novas realidades.

Somos, certamente uma democracia com falhas… Quais são as maiores falhas da democracia portuguesa?
Todas as democracias têm falhas e a portuguesa também. É difícil referir quais são as maiores lacunas. Contudo, há duas que destacaria, pelo facto também de serem pouco debatidas, mas com efeitos substanciais na vida dos cidadãos. A primeira é a necessidade de reforçar a avaliação das políticas públicas, quer antes da tomada de decisão, quer depois da sua implementação. A segunda prende-se com a necessidade de desenvolvermos uma sociedade civil mais forte.

É confortável ou preocupante a posição que a democracia portuguesa ocupa no ranking mundial? E no ranking europeu?
Os rankings não nos devem levar a subestimar os desafios que as democracias enfrentam, incluindo a portuguesa. Os rankings podem colocar os países em posição relativamente mais ou menos positivas. Mas independentemente disso, a atenção de todos, desde cidadãos a decisores políticos, deve estar em assegurar que a democracia melhora e evolui.

Pensar o futuro do país pressupõe uma estratégia de longo prazo ou o futuro passa mais pelas ações diárias encetadas pelo poder político, pelo tecido empresarial, pelos agentes culturais e pela sociedade em geral?
Esta é uma excelente pergunta. Ambas as dimensões que refere são relevantes e devem ser articuladas. Esse é também um dos desafios para o desenvolvimento no futuro.

A nível nacional, o problema demográfico será o desafio que mais condiciona todos os restantes desafios?
O tema demográfico não pode ser dissociado de outros, desde a natureza do mercado laboral às políticas públicas. É necessário examinar os desafios que o país enfrenta de forma integrada e isso é verdade tanto para a questão demográfica como para outros desafios que enfrentamos, como por exemplo a nível das alterações climáticas.

Assume-se como um feroz defensor do investimento na ferrovia. Será apenas uma questão de constrangimentos financeiros ou será mais a falta de determinação política a adiar, sine die, uma rede, uma estrutura e um serviço rodoviário dignos desse nome em Portugal?
A ferrovia é um instrumento importante para o desenvolvimento. Neste quadro, as opções políticas dos últimos 40 anos têm privilegiado o transporte rodoviário em detrimento do ferroviário. Será importante reequilibrar esse padrão no futuro.

Poderá ter acesso à versão integral deste artigo na edição impressa n.º 3955, de 28 de setembro ou no formato digital, subscrevendo a assinatura em https://oregional.pt/assinaturas/
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