Sociedade

“Temos um papel fundamental na vida do utente”

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Têm um papel de proximidade, junto da população, e são o rosto dos cuidados de saúde primários. Os Médicos de Família, conhecem todo o historial clinico dos utentes, são portadores das boas e de más notícias, e “fazemos” parte da família.

O médico de família é, e sempre foi, o rosto dos cuidados de saúde primários. Conhecem, como poucos, os seus doentes, o historial clinico do paciente e de toda a família, são os confidentes e mensageiros de notícias boas e más. O dia do Médico de Família assinala-se hoje, dia 19 de maio. Conversamos com quatro profissionais do Centro de Saúde de S. João da Madeira, com idades diferentes, mas todos com algo em comum. Médicos de Família por vocação.
José Vítor Pereira da Silva é o coordenador da USF São João, que tem mais de 15 mil utentes, “todos” com médico de família. Aos 64 anos, é atualmente um dos rostos mais conhecidos desta unidade de saúde. É médico há 40 anos, 36 nesta unidade. Diz ter perdido a conta ao número de consultas que já realizou. Mas faz rapidamente as contas num pequeno papel. “Aproximadamente 175 mil. É muita coisa!...”, graceja.
Ser médico de família sempre foi um objetivo. Para si, a Medicina Geral e Familiar é uma das práticas mais “desafiantes” do ramo clinico, uma vez que permite que o médico esteja “mais perto do doente, o que não acontece em ambiente hospitalar”. A juntar a tudo isto, refere que há “naturalmente um laço entre o utente, a família e o médico. Somos um amigo de toda a família”, considerando este o grande “desafio” da especialidade.
Ao longo dos tempos muita coisa parece ter mudado na especialidade. “Há uma procura maior dos serviços e que exige um esforço” por parte destes profissionais.
José Vítor Silva enfatiza que a pandemia mudou o paradigma da assistência e “trouxe para cima da mesa vários desafios” para os especialistas em Cuidados de Saúde Primários. “Foi todo um processo muito difícil”, que “exigiu dos médicos um esforço maior de todos, levando mesmo muitos à exaustão”. Uma situação que “nenhum médico pensou um dia viver”, remata.

“A relação com estes utentes constrói-se”

Sofia Costa, 29 anos, é uma cara nova na unidade. Escolheu este Centro de Saúde, pois “prima pela excelência da qualidade e tem um bom ambiente de trabalho. Funciona muito como equipa”, diz a profissional de saúde.
Nesta especialidade, mais do que o primeiro médico que recebe as queixas do estado de saúde dos doentes, Sofia Costa sente que a especialidade é uma das práticas “mais desafiantes” do ramo clinico. “Temos um papel fundamental na vida do utente que, muitas vezes, vem desabafar, procurar ajuda em todos os campos da vida. Contam-nos coisas que, em determinadas situações, não revelam a um médico hospitalar. A relação com estes utentes constrói-se. É desde o nascimento e, em muitos casos, acompanhamos até à morte. Somo, na verdade, da família”, remata.
Sofia Costa conta a ‘O Regional’ que esta efeméride que hoje se assinala representa a “aproximação do utente, é o reconhecimento do papel que o médico de família tem no estado de saúde de uma população, porque somos a classe médica que tem maior impacto na saúde populacional e que mais contribui para a saúde de um pais”. Quanto à efeméride, considera “muito importante”, principalmente para “recordar” aquilo que é “óbvio, mas que, infelizmente, ainda somos, muitas vezes, vistos como o parente podre da medicina”.
O dia não vai passar despercebido na USF. Esta quinta-feira, médicos internos das duas USF Vale do Vouga e São João realizarão uma atividade física pelos médicos, alertando para a importância desta classe na vida da população.

Ar­tigo dis­po­nível, em versão in­te­gral, na edição nº 3892 de O Re­gi­onal,
pu­bli­cada em 19 de maio de 2022

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