Sociedade

Semana da Juventude regressa com três dias de liberdade, expressão e democracia cultural

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A Semana da Juventude está de regresso com uma programação que cruza o desporto com a arte, a participação com o lazer e a experimentação com a convivência. “A Semana da Juventude é um espaço de liberdade, construção e diversidade”, sublinhou Ana Rita Pereira, presidente da Associação de Jovens Ecos Urbanos, que organiza o evento em parceria com a Câmara Municipal.
Mais do que um evento criado para os jovens, é um evento criado com os jovens. Como salientou Jorge Vultos Sequeira, presidente da Câmara Municipal, “o programa foi elaborado em conjunto com os jovens da cidade. Participaram com propostas, foram ouvidos e incluídos”, mostrando que o envolvimento direto pode gerar uma programação realmente representativa. Desde há meses que grupos informais, associações juvenis e artistas locais têm trabalhado com técnicos da autarquia para cocriar este momento.
Os jovens são convidados a pensar e a ocupar a cidade de forma ativa, crítica e criativa. Entre as oficinas, jogos, rodas de conversa e espetáculos, constrói-se um tempo fora da rotina, onde é possível experienciar o coletivo como um território fértil de possibilidades. “É um espaço de convivência que permite à juventude mostrar o que é, o que pensa, o que sente. Um lugar onde nos podemos reconhecer uns nos outros”, referiu Ana Rita Pereira.
A tarde de quinta-feira arranca com múltiplas propostas de experimentação, desde os “Ecos do Trabalho”, um jogo sobre a memória operária da cidade, até às aulas abertas de ténis e voleibol, passando por oficinas como “Saber Sentir”, que convida à escuta sensorial do corpo. Ao final do dia, há visita guiada às Instalações Participadas, seguida de um momento de abertura oficial e de uma performance teatral da Oficina de Artistas dos Ecos Urbanos.
A noite de 17 de julho reserva ainda um dos momentos mais significativos do programa, sendo este, as “Conversas para Germinar”, sob o tema “Democracia Cultural”, juntando ativistas e investigadores como Beatriz Lacerda, José C. Mota, Lea Lopez e Rita Pereira. Um diálogo entre arte, juventude e cidadania, moderado por Lígia Ferro. Mais tarde, o humor ocupa o palco com stand-up “Em Memória de João Amorim” e a madrugada prolonga-se com a atuação de Batiskaf e a Dança do Leão e do Dragão pela equipa Yin Long.
Na sexta-feira, o destaque vai para o “Festival Jovens Talentos” e a Roda de Samba “Tanto Bate Até que Samba”, momentos em que a arte e a celebração se cruzam com a espontaneidade. O dia termina ao som do DJ set de Maryska. Já no sábado, o espírito urbano ganha força com a Skate Jam da Unlock e as batalhas de improviso conduzidas pela Roda Universo, culminando no concerto final de XTINTO e no DJ set de encerramento com Bruma.
A par da programação principal, decorrem também quatro Instalações Participadas abertas ao público, além de um mercadinho de arte e street food que convida à permanência e ao convívio. “É uma semana feita de encontros, onde tudo o que acontece tem um propósito comum: dar espaço ao que os jovens são e ao que podem vir a ser”, concluiu Ana Rita Pereira.
Como espaço de questionamento, de ensaio democrático, de construção coletiva, a Semana da Juventude alia-se a temas abordados que atravessam as questões ambientais, a saúde mental, os direitos humanos, a sexualidade, o futuro do trabalho ou a arte enquanto forma de intervenção política. Em cada canto da cidade, há sinais de inquietação e desejo de reconstrução. Como afirma Rodolfo Andrade, presidente da Junta de Freguesia de S. João da Madeira, “a juventude precisa de espaço, de voz e de confiança”, e é por isso que “aumentámos substancialmente o apoio financeiro à Semana da Juventude nos últimos anos”.
Num tempo em que tantas vezes se desvaloriza a participação juvenil, a cidade insiste em caminhar ao lado dos seus jovens. Acredita-se, aqui, que a cultura não se impõe, constrói-se. Que a democracia não se aprende nos livros, pratica-se. E que ser jovem é mais do que uma fase da vida, é uma forma de olhar o mundo, de querer mais, de não se conformar.
De 17 a 19 de julho, a cidade de S. João da Madeira volta a pertencer à juventude. Aos que ousam, aos que experimentam, aos que falham e recomeçam. Aos que ainda acreditam que é possível construir um mundo mais livre, mais justo e mais criativo, começando por este pequeno território chamado S. João da Madeira.

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