
O Centro Coordenador de Transportes de São João da Madeira volta a ser alvo de críticas por parte dos utilizadores. As queixas não se prendem com questões de segurança ou limpeza, mas sim com a prolongada avaria do elevador e das escadas rolantes no interior da estrutura.
Quem por ali passa garante que a situação se prolonga no tempo e continua a causar transtornos diários a centenas de pessoas que utilizam aquele espaço, vendo a sua mobilidade dificultada pelo “arrastar de soluções práticas e eficazes” na resolução destes e de outros problemas no interior deste espaço municipal.
Populares ouvidos por ´O Regional` dizem não compreender a demora na resolução dos problemas e sublinham que os equipamentos “fazem toda a diferença”, sobretudo para quem tem mobilidade reduzida. Um condutor de autocarro, que pediu reserva de identidade, afirma que o constrangimento é visível diariamente. “Este espaço é frequentado por muitos idosos que mal conseguem subir as escadas. Outros têm mesmo de aguardar por uma boleia”, explica.
Na mais recente reunião camarária, a coligação “A Melhor Cidade do País” voltou a interpelar o executivo sobre o assunto. O vereador Paulo Barreira questionou o presidente da câmara sobre prazos para a resolução da avaria nas escadas rolantes. Jorge Vultos Sequeira reconheceu tratar-se de uma “avaria profunda” e informou que foram feitos contactos com empresas especializadas. Acrescentou, ainda, que foi decidido reativar o elevador, inoperacional há vários anos, e que “já foi lançado o procedimento com vista a reabilitar e repor o funcionamento do elevador”.
Apesar disso, no local, as escadas mantêm-se encerradas e vedadas. Em abril deste ano, o vice-presidente da autarquia já havia explicado a ´O Regional´ que os equipamentos eram antigos e sujeitos a avarias frequentes. Na altura, acrescentava o autarca, estavam a decorrer consultas no mercado para decidir entre uma nova reparação ou a substituição completa das escadas.
“Por que razão se demora tanto tempo a resolver os problemas?”
Com a viatura na oficina, Fernanda Pinho usou recentemente o Centro Coordenador e relata a dificuldade que viveu ao tentar aceder à Avenida Renato Araújo. “Não vivo muito longe, mas nunca tinha usado o espaço. Desconhecia que as escadas estavam inutilizáveis, pois o meu marido tinha-nos deixado próximo do autocarro”. Numa deslocação ao hospital São Sebastião, na Feira, com o pai de 87 anos e com locomoção reduzida, deparou-se com a realidade. “Sem escadas, sem elevador, como íamos para a Avenida Renato Araújo? Restavam as escadas interiores, que ele não conseguia subir”. A solução, conta, “foi esperar pelo meu marido para nos levar à farmácia e para casa”. Fernanda não esconde a revolta. “Por que razão se demora tanto tempo a resolver os problemas?”, questiona.
Quem ali trabalha e por ali passa diariamente volta a salientar também a ausência de videovigilância naquele espaço público, desligada há mais de dois anos, o que contribui para a sensação de insegurança.
A Câmara Municipal assumiu recentemente, a ´O Regional´, estar “atenta a este problema”, mas quem ali trabalha fala num “certo abandono”. São as escadas, o elevador inativo há décadas, a falta de videovigilância, o problema dos toxicodependentes nas casas de banho. “Este espaço está entregue a si mesmo”, afirmam.
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