
Os primeiros resultados de uma iniciativa que aposta em respostas não farmacológicas foram apresentados na última semana, em Santa Maria da Feira, num seminário que reuniu autarquias e entidades da área da saúde.
O encontro serviu para apresentar os primeiros resultados da iniciativa “Prescrição de Saúde e Bem-estar” e contou com a participação da Câmara Municipal de São João da Madeira. O Seminário “Prescrição de Saúde e Bem-estar na ULS Entre Douro e Vouga” realizou-se na última semana, no ISVOUGA, em Santa Maria da Feira, e reuniu representantes do sector da saúde, autarquias e entidades parceiras envolvidas na sua implementação.
A iniciativa é desenvolvida pela ULS Entre Douro e Vouga em parceria com os municípios de Arouca, Oliveira de Azeméis, São João da Madeira, Santa Maria da Feira e Vale de Cambra e pretende introduzir, no sistema SClínico, uma prática de prescrição não farmacológica. O objetivo passa por permitir que os médicos recomendem atividades comunitárias orientadas para a promoção da saúde e do bem-estar, recorrendo a uma plataforma eletrónica que está a ser criada como base de dados dos projetos municipais e que será, numa fase posterior, integrada no próprio SClínico.
Na sessão de abertura, o primeiro-secretário da Área Metropolitana do Porto, Agostinho Branquinho, destacou a relevância da articulação entre os serviços de saúde e as autarquias para melhorar a qualidade de vida das populações, apontando a iniciativa como um exemplo de inovação social aplicada à saúde e de reforço da ligação entre recursos comunitários e serviços públicos. A iniciativa enquadra-se nos pequenos projetos de inovação social da AMP e é desenvolvida no âmbito do Eixo II do Plano de Acão para as Comunidades Desfavorecidas e do Plano de Recuperação e Resiliência.
Presente no seminário, a vereadora da Ação social e Inclusão, Saúde e Qualidade de Vida e Habitação reforçou que muitas das causas do sofrimento humano “não se resolvem só numa receita médica” e que fatores como “a solidão, o isolamento, o sedentarismo, a ansiedade, a perda de sentido” e “a pobreza relacional” acabam por ter impacto direto na saúde das pessoas.
“Os municípios são parte do sistema de saúde”
Na sua intervenção, Dulce Santos defendeu que a prescrição de saúde e bem-estar dá aos médicos “algo absolutamente revolucionário: a possibilidade de prescrever vida, e não apenas medicamentos”, sustentando que esta abordagem traduz a aposta do Município “numa política de saúde que não se limita a tratar, mas que cuida e previne”. Para a responsável, quando um médico prescreve “uma aula de ginástica, uma visita solidária ou um grupo comunitário”, está a usar “o território como um verdadeiro medicamento”, classificando esta lógica como “uma revolução. Silenciosa. Mas profundamente poderosa”.
A vereadora destacou ainda o papel das autarquias neste modelo, ao sustentar que “os municípios são parte do sistema de saúde” e que não se limitam a ser “gestores de equipamentos” ou “financiadores de atividades”, mas antes “criadores de condições para que as pessoas vivam mais, vivam melhor e vivam com dignidade”. Revelou ainda que, graças à adesão de duas médicas de família à iniciativa, a 4 de dezembro, 27 utentes do concelho “já estavam a beneficiar desta prescrição de saúde e bem-estar”.
Segundo a organização, a iniciativa procura promover estilos de vida mais saudáveis, reduzir situações de isolamento social e fortalecer a relação entre saúde e comunidade, em linha com os objetivos estratégicos definidos pelo PACD-AMP e pelo PRR.
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