
A participação do município na Bolsa de Turismo de Lisboa consolidou a afirmação de São João da Madeira como referência do turismo industrial e plataforma de promoção económica.
Integrada na programação do Turismo do Porto e Norte de Portugal e da Área Metropolitana do Porto, a participação focou na valorização de setores emblemáticos. No espaço expositivo, o município apresentou iniciativas associadas à chapelaria e ao calçado, além de propostas gastronômicas inspiradas no saber-fazer local.
Bolsa de Turismo de Lisboa (BTL) 2026 aconteceu na Feira Internacional de Lisboa, no Parque das Nações, entre quarta-feira, 25, e domingo, 1º de março. São João da Madeira foi representada na sessão de abertura pelo presidente da Câmara, João Oliveira, e pelo vice-presidente, Tiago Correia.
Ao mesmo tempo, a Unidade de Turismo integrou o espaço da Rede Portuguesa de Turismo Industrial, acompanhada pelos parceiros Maraus Hat Atelier e Feltrando, bem como pelo projeto Indústria à Mesa. A iniciativa contou com a colaboração de agentes econômicos locais, entre eles A Tal da Pizza, Tudo aos Molhos, Padaria Massapão, Byte Bistrô e o Licor Luz Divina, da marca Maria Portugal.
Alexandra Alves, chefe da Unidade de Turismo da Prefeitura de São João da Madeira, ressaltou que a presença na BTL 2026 assumiu um caráter “verdadeiramente estrutural para o nosso território”, tanto pela afirmação identitária quanto pela integração ativa dos agentes econômicos.
Durante o evento, o município destacou três pilares centrais de sua identidade – a indústria de chapelaria, o setor calçadista e a gastronomia inspirada no saber-fazer industrial. “Ao longo do evento, apresentamos ações que destacaram três pilares identitários fundamentais de São João da Madeira: a indústria da chapelaria, a indústria calçadista e a gastronomia inspirada no saber-fazer industrial”, disse Alexandra Alves.
Entre as iniciativas promovidas, estiveram presentes o Maraus Hat Atelier, com demonstrações ao vivo das técnicas de acabamento de chapéus, e a Feltrando, que revelou o processo artesanal de trançar tiras de feltro. “Essas ações foram complementadas com momentos de harmonização de sabores por meio do projeto Indústria à Mesa, uma expressão criativa da identidade catarinense”, explicou.
A participação também incluiu diversas empresas e produtores locais, que divulgaram seus projetos para visitantes e profissionais do setor. “Mas, mais do que promover o projeto, foi fundamental garantir que agentes econômicos como A Tal da Pizza, Tudo aos Molhos, Padaria Massapão, Byte Bistrô e o Licor Luz Divina, de Maria Portugal, tivessem a oportunidade de se apresentar em um dos mais importantes palcos do turismo nacional”, enfatizou.
Para a chefe da Unidade de Turismo, o impacto ultrapassa a promoção imediata e contribui para o desenvolvimento estratégico do tecido econômico. “Esse contato direto com visitantes e profissionais do setor é essencial para que eles possam desenvolver seu próprio storytelling e ajustar sua estratégia a uma visão mais voltada para o visitante. Acredito que essa participação teve um impacto que vai muito além da promoção imediata. Foi um momento de aprendizado, afirmação e ambição, que permitirá aos agentes econômicos olhar para seus projetos com uma perspectiva renovada e reforçar o posicionamento de São João da Madeira como um território onde a indústria, a criatividade e a autenticidade se transformam em experiências únicas”, concluiu.
A 36ª edição da BTL – Better Tourism Lisbon Travel Market aconteceu na última semana, reunindo 1.700 expositores e 125 destinos internacionais, um crescimento de 20% em relação a anos anteriores. O evento ocupou cinco pavilhões, em uma área de 60 mil metros quadrados, e contou com cerca de 600 iniciativas ao longo de cinco dias, três reservados a profissionais e os demais abertos ao público.
“Oportunidade estratégica”
No espaço cozinha, um dos locais de maior visibilidade midiática do estande do Turismo do Porto e Norte de Portugal, e a convite do município de São João da Madeira, Tiago Campos protagonizou uma demonstração ao vivo, integrada à programação oficial da BTL, representando os parceiros do projeto Indústria à Mesa. Realizou o empratamento, ou “mise en place”, de diversas sobremesas identitárias inspiradas nos principais setores industriais do município, evidenciando rigor técnico, criatividade estética e forte carga simbólica. Durante a apresentação, ele explicou em detalhes os ingredientes, os processos de preparo e os perfis de sabor, destacando o uso de produtos locais e a forma como cada peça traduz, em linguagem gastronômica, o saber-fazer industrial sanjoanense.
Tiago Campos, em declarações a O Regional, assegura que a participação na BTL representa uma “oportunidade estratégica” para projetar seu trabalho e alcançar novos públicos. Ele ressalta que o impacto não se esgota no momento, fazendo-se sentir principalmente a médio e longo prazo, à medida que a presença consolida notoriedade e abre portas para novas oportunidades. “O impacto é forte porque é o que eu sempre falo, é uma sementinha que a gente coloca e depois vai brotar daqui a pouco. A nível de impacto logo, imediato, podemos não perceber, mas a longo prazo a gente nota” Ele
sustenta ainda que a participação em edições anteriores já produziu resultados concretos. “Já tivemos pessoas que nos viram na BTL e vieram de propósito só para provar o sapato, no caso”.
O primeiro contato do público se mostra determinante, sobretudo pela dimensão visual da proposta apresentada. “As pessoas sempre ficam impactadas logo pela aparência visual. Pelo visual fica logo aquele impacto”. A partir desse momento surge a curiosidade em entender a conexão entre a gastronomia e os símbolos identitários do território. “Explicamos que não temos histórico em termos gastronômicos, por exemplo, como nossa vizinha Santa Maria da Feira, ou mesmo Oliveira de Azeméis, e como a cidade é conhecida por esses ícones, os sapatos, os chapéus e os lápis, nos agarramos a isso. E pronto, as pessoas adoram, a ideia”.
Tiago Campos também ressalta a dimensão nacional e internacional da feira, que amplia o alcance do trabalho desenvolvido e cria possibilidades de expansão. “Acho que deveria ter mais feiras assim. Porque a visibilidade é muito grande, muito grande mesmo”. O interesse manifestado por entidades estrangeiras confirma essa projeção. “Já tivemos, no caso, interessados para levar nossas coisas para outros países. Já tivemos uma embaixadora do Japão que ficou muito interessada na época”.
Cidade apresentou programa “dinâmico e participativo”
O prefeito de São João da Madeira assegura que a participação do Município de São João da Madeira na BTL 2026 “faz parte de uma estratégia de afirmação do nosso território como destino turístico diferenciador, baseado na valorização do seu patrimônio industrial e na capacidade de inovação dos agentes econômicos locais”.
João Oliveira acrescenta que o Município apresentou na BTL um programa “dinâmico e participativo”, focado em áreas que fazem parte da nossa identidade, como a chapelaria e o calçado.
As demonstrações de trabalho ao vivo realizadas por parceiros do Turismo Industrial permitiram ao público que nos visitou na BTL “assistir a técnicas artesanais associadas, em especial, à produção de chapéus, o que foi muito apreciado pelo público, assim como aconteceu com o projeto Indústria à Mesa, uma proposta gastronômica com formas inspiradas em produtos marcantes da indústria sanjoanense”.
Para a Prefeitura, a presença na BTL “traduz-se em um reforço da notoriedade de São João da Madeira junto a públicos nacionais e internacionais, a quem a cidade tem a oportunidade de mostrar que sua indústria não é apenas memória, mas uma realidade viva, capaz de possibilitar experiências turísticas únicas”.
A afirmação de Santa Maria da Feira como destino cultural estruturante também foi destaque na BTL, onde o município apresentou sua estratégia baseada na produção artística e na valorização de eventos de referência.
O secretário de Cultura, Paulo Marcelo, que representou o Município no evento, destacou a visão “Santa Maria da Feira – Cidade Palco” como eixo central da política cultural local. “Somos um território reconhecido por sua matriz industrial, pelo empreendedorismo e pela capacidade de inovação. Mas soubemos transformar essa mesma energia em um projeto cultural ambicioso e diferenciado. Hoje, a cultura é um verdadeiro motor de desenvolvimento econômico, social e identitário de Feira de Santana”.
Entre os projetos mais emblemáticos, ele destacou o Imaginarius – Festival Internacional de Teatro de Rua, que completa 25 anos em 2026.
O vereador também apontou a repercussão de outros eventos estruturantes, como a Viagem Medieval em Terra de Santa Maria, o Perlim – Parque Temático de Natal, a Semana Santa de Santa Maria da Feira, a Festa das Fogaceiras e o Festival de Cerveja Artesanal.
A participação de Oliveira de Azeméis na Bolsa de Turismo de Lisboa reforçou a afirmação do município como destino marcado pela história, patrimônio cultural, inovação e riqueza natural, ao lado da promoção de produtos tradicionais como a regueifa e o pão de Ul. “Mais uma vez estamos representados na maior feira de turismo portuguesa, integrados no stand da Área Metropolitana do Porto, com um vasto e rico programa de animação, potenciando, dessa forma, a nossa atratividade turística”, referiu o presidente da autarquia de Oliveira de Azeméis, Joaquim Jorge.
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